terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dizem por aí


Dizem por aí, que Deus é tão soberano, a ponto de excluir a liberdade humana para fazer o que propôs em Seu coração. Visto que não existiria amor sem liberdade, não me vejo a acreditar nestes pressupostos conceitos de “soberania”.

Dizem por aí, que incondicionalmente, Deus escolhe seus eleitos para vida eterna e outros para perdição. Visto que as condições impostas por Deus em toda Bíblia dão sempre opções de dois caminhos ao homem (obedecer ou desobedecer), não me vejo a acreditar neste suposto conceito de “incondicionalidade”.

Dizem por aí, que Deus é responsável por tudo que acontece de bom e de ruim. Visto que esse conceito irrevogável da responsabilidade de Deus o coloca culpado de tudo, não me vejo a acreditar neste fatalismo “muçulmano”.

Dizem por aí, que todos aqueles que disserem “sim” a um apelo de aceitar a Cristo como seu Salvador, terá sua morada garantida no céu. Visto que nem todos que dizem “sim” ao apelo passam realmente por uma metanóia, me vejo a não acreditar nestas supostas conversões em massa que temos visto em tempos modernos.

Dizem por aí, que Jesus Cristo foi apenas um grande homem iluminado. Visto que a transformação de minha vida se deu única e exclusivamente pelo poder de sua ressurreição, me vejo a acreditar que Jesus Cristo foi tanto um homem iluminado, como o Deus único e verdadeiro.

Dizem por aí, que "quem tem promessa não morre". Visto que o escritor aos hebreus salienta que “todos estes (os heróis da fé do AT), tendo sido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa”, me vejo a não acreditar nestes clichês dos pregadores atuais.

Dizem por aí, que "quem não faz barulho está com defeito de fabricação". Visto que não consigo enxergar o apóstolo Paulo, ou até mesmo Jesus, gritando, "sapateando" ou "marchando no poder", me vejo a acreditar que muitos pentecostais foram fabricados por pseudolíderes que apresentam distúrbios em suas exegeses bíblicas.

Dizem por aí, que dinheiro, fama e sucesso, são sinais da benção de Deus. Visto que Jesus foi pobre e não tinha onde reclinar a cabeça, me vejo a não acreditar nas supostas profecias destes profetas da famigerada teologia da prosperidade.

Dizem por aí, que se o Espírito Santo fosse retirado da igreja, 90% das atividades eclesiásticas iriam continuar a acontecer normalmente como se nada tivesse ocorrido. Visto que isso é algo estarrecedor, sou obrigado dar crédito a este dado, orando em todo tempo, para que tenhamos sensibilidade de perceber isso quando ocorrer em nossas vidas.

Tantas coisas dizem por aí, mas prefiro ficar com o Evangelho genuíno apresentado nas páginas das Escrituras.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

10 coisas que odeio em você, igreja


Li essa semana uma slongan bastante interessante que revela o quanto a igreja esta em baixa nos últimos tempos: ODEIO A IGREJA, NÃO JESUS!
A lista abaixo relacionada é direcionada à igreja institucional, à igreja-empresarial, ao clube de entretenimento, assim falsificada e vendida ao poder temporal. Não me refiro absolutamente à igreja verdadeira, ao remanescente fiel que muitas vezes está contido nessa igreja caricata dos nossos dias.
Compartilho aqui o sentimento de inconformação de Davi quando disse a Deus: Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? e não abomino os que se levantam contra Ti? Aborreço-os com ódio consumado, para mim são inimigos de fato.
O que eu odeio em ti, igreja do nosso tempo?
1. A TUA PRETENSÃO OSTENSIVA de tu te veres superior a tudo e a todos, e com esse orgulho besta, deixas de ser reconhecida como voz de Deus e agência do Reino no mundo. Ao contrário, deverias te afastar pra bem longe dessa vaidade luciferiana e cair em si, voltando a servir humildemente ao mundo ao qual foste enviada.
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2. QUANDO INFLEXÍVEL, IMPÕES O DETESTÁVEL LEGALISMO COMO FORMA DE CAMINHADA CRISTÃ com regras insuportáveis que mantém teus membros eternamente cativos a infantilidade na fé, ao invés de conduzi-los à maturidade cristã que alcança a essencial liberdade consciente e anda maduramente nas pegadas de Jesus de Nazaré.
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3. A TUA CEGUEIRA REDUCIONISTA que não discerne claramente o Reino além de tuas limitadas fronteiras, expandindo a visão para ver e aceitar outras formas de expressão, de serviço cristão, de culto e de obras que também glorificam a Deus e contribuem para a expansão do Reino na terra.
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4. A TUA FORMA DE JULGAR SUMARIAMENTE as pessoas, se são merecedoras do céu ou do inferno, como se coubesse a ti essa prerrogativa divina de seleção. Deveria tu saber que essa é uma ação exclusiva de Deus.
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5. A TUA DISCIPLINA CORRETIVA que sempre exclui e joga fora todo aquele que desgraçadamente tropeça por algum motivo, levando invariavelmente o “disciplinado” ao abandono, e ferido, a morrer a míngua.
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6. A TUA FORMA ANTIBÍBLICA DE EVANGELIZAR, definindo prazo de mudança para as pessoas ”aceitarem Jesus”, exigindo uma conversão urgente e superficial baseada na adequação compulsória às regras de teus usos e costumes, e não na radical soberana transformação do Espírito Santo, de dentro para fora, e no livre tempo de Deus.
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7. A TUA VISÃO MISSIONÁRIA/ EVANGELÍSTICA DISTORCIDA que em nome do “ide” retira as pessoas de suas áreas de convivência na sociedade onde exerciam posições estratégicas para alcançar seus semelhantes, para mantê-los circunscritos à área do templo, transformando-os em pessoas inativas ou em obreiros alienados que desconhecem o que se passa no mundo que os rodeiam.

8. O TEU ABUSO DE PODER arrastando milhares de PESSOAS SINCERAS, frágeis, crédulas, simplórias, despreparadas e desavisadas à exaustão, ao esgotamento, ao sofrimento, à decepção, e a se sentirem absolutamente usurpadas física, emocional, material e espiritualmente. Essas pobres vítimas do teu poder abusivo se tornam amargas e refratárias para o Evangelho para sempre, fechadas para qualquer possibilidade de pensarem em Deus ou em coisas relacionadas a ti.

9. A FORMA IMORAL COM QUE TEUS LÍDERES LIDAM COM AS FINANÇAS, manipulando o dinheiro que entra em teus cofres de forma irresponsável, desonesta, revelando que são subjugados pelo deus Mamon. Reproduzes pastores que amam posição, poder, e o dinheiro, tornando-os cheios de avareza e de ganância. ISSO TEM CAUSADO GRANDES ESCÂNDALOS E DANOS IRREVERSÍVEIS PARA O EVANGELHO, E TU ÉS DIRETAMENTE RESPONSÁVEL POR ISSO!

10. E por último, odeio quando MENTES, ASSEVARANDO QUE FORA DE TI, AS PESSOAS NÃO PODEM SOBREVIVER. Saiba que existem milhões de pessoas que nunca adentraram em teus átrios e mesmo assim oram, têm temor, discernimento, maturidade, ética, moral e dignidade, muitas vezes, mais apurados que teus pobres membros pretensiosos.
Sobretudo, há uma forma difícil, dolorida, mas possível, que pode mudar radicalmente esse quadro sombrio: TENS QUE PASSAR PELO PORTAL DO ARREPENDIMENTO. Como diria Jesus, Lembra-te de onde caíste e arrepende-te...

Por Manoel Silva Filho
fonte: Manoel DC

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A arte do vernáculo


Estou me deliciando na obra "Alma Sobrevivente" do escritor Philip Yancey. Nos idos do capítulo 10, encontrei uma pérola que gostaria de compartilhar com meus leitores.

O trecho abaixo falou muito ao meu coração.

"A partir das cartas que recebo e dos comentários que ouço em festas e lançamentos de livros, chego à conclusão de que as pessoas têm uma visão romântica da vida de um escritor. Essas pessoas nunca estiveram ao lado de um escritor que fica parado 15 minutos diante de um dicionário de sinônimos em busca de uma única palavra. Devido ao próprio trabalho, os escritores levam uma vida solitária. Trabalhamos sozinhos, fugindo de qualquer distração, e criamos nossa própria realidade particular, explorando-a e domesticando-a até que chega o momento quando o editor começa a instigar outras pessoas a trabalhar conosco - momento em que, naturalmente, estamos felizes, construindo outra realidade falsa. Na maior parte das vezes, o mundo que criamos é muito mais interessante do que aquela triste realidade na qual vivemos. Às vezes, tenho a impressão de que minha vida de escritor se sobressai à minha vida real. Fico pensando: Se eu não escrevesse, será que eu chegaria mesmo a existir? Como posso saber o que penso ou sinto sem abrir meu computador e começar a escrever sobre aquilo? Lembro-me de um dia em que trabalhava em uma pequena história numa manhã bem cedo. Por três horas, esforcei-me para desenvolver personagens tridimensionais, tirando todos os clichês de seus diálogos. Iniciante na ficção, estava ficando com uma terrível dor de cabeça por causa do esforço. Naturalmente, usava isto como desculpa para parar de escrever, atravessar a rua e tomar um café. Imagine minha surpresa ao descobrir que todas as pessoas da cafeteria eram personagens bidimensionais, que falavam usando clichês! Nenhuma daquelas pessoas parecia-me tão interessante quanto as pessoas que povoavam minha história. Corri de volta para a segurança de minha falsa realidade que me esperava (e somente a mim) no meu escritório no porão".

10 coisas que amo em você, igreja


NOTA: Quando me refiro à igreja na lista abaixo, estou pensando na igreja orgânica, invisível aos olhos humanos, aquela que só Deus conhece como Seu único e exclusivo remanescente fiel, a noiva de Cristo, composta dos filhos e súditos do Reino. É essa igreja que amo e sou membro.
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Que mais amo em ti?
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1. AMO TUA VOCAÇÃO PROFÉTICA. Quando exerces teu papel profético de denunciar o mal e delatar a injustiça e quando desmascaras corajosamente o rosto imundo da corrupção e serves tu mesma de espelho, para o mundo ver Jesus refletido em teu semblante.
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2. AMO TUA CORAGEM DESTEMIDA. Quando desfazes os altares da vaidade, desbancas os postes ídolos do abuso de poder, detonas os totens dos falsos profetas e pastores fingidos, esses que amam a popularidade, a fama e o dinheiro e arrastam milhares de incautos à decepção e à tristeza irreversíveis, até que tu venhas e a ser alento e ponto de apoio para voltarem a caminhar, Para depois correrem livres e voarem em direção a uma vida pujante de alegria e liberdade em Cristo, nunca dantes experimentada.
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3. AMO TEU AMOR DESMEDIDO. Quando te identificas com as pessoas às quais tu proclamas a verdade do Evangelho, amando-as incondicionalmente, vendo sempre o bem no outro, e incluindo-o como teu semelhante e irmão de caminhada. Se acontecer algum processo de seleção no final, cabe a Deus fazê-lo, como prerrogativa exclusiva Dele.
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4. AMO TEU TESTEMUNHO IMPOLUTO. Quando, em alguns pontos luminosos de tua história, e ainda hoje se vê rasgos nítidos de tua original missão de servir de ponte de retorno entre o mundo perdido e o seio do Pai, de ser farol de referência, lucidez e honradez aos que estão à deriva na correnteza do mar da corrupção, e ser rocha firme aos que afundam na areia movediça das certezas relativizadas.
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5. AMO TUA HUMILDADE, À SEMELHANÇA DE TEU MESTRE. quando te conscientizas que teu lugar é servir no vale escuro da dor e da rejeição e não no topo do mundo, debaixo dos holofotes e flashes da fácil aceitação.
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6. AMO QUANDO TE MOSTRAS MADURA EM TUA PROPOSTA DE SANTIDADE. Quando descobres que o caminho da maturidade rumo à santidade é o da experiência do andar vivencial com Jesus, e não a freqüência compulsória a um culto, e a liberdade consciente como a melhor forma de amadurecimento em direção ao céu.
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7. AMO TUA ESTRATÉGIA INTELIGENTE DE CONQUISTAR O MUNDO. Quando adotas a teologia encarnacional da identificação participativa e te imiscuis no meio do mundo de forma sutil, subversiva, sem alarde e autopromoção, e através de recursos didáticos criativos se utilizando da cultura e das artes, consegues mudar os rumos da história.
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8. AMO TUA OBJETIVIDADE FULMINANTE. Quando não fazes “cavalo de batalha” com coisas inúteis e irrelevantes para a vida como defender doutrinas humanas, dogmas e tradições de usos e costumes, e por outro lado, enfatizas o que é essencial para a vida aqui e o porvir, como incorporar o Evangelho Simples, amar a Jesus, vivenciar o amor entre os irmãos, reunir com os amigos para conversar, assistir o necessitado, abrigar o sem casa, dar alimento ao faminto e prover uma base sólida de educação aos que não teria nenhum futuro consistente e a chance de poder sobreviver nessa sociedade de lobos vorazes que dilaceram o ânimo doa fracos e despedaçam a esperança dos pequeninos. Mas aguarde com paciência o terrível julgamento que recaíra sobre sobre toda a alcatéia desses predadores insaciávais, por tocarem nesses amados pequeninos do Senhor...
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9. AMO TEU SENSO AGUÇADO DE JUSTIÇA E MISERICÓRIDIA. Quando usas sabiamente a disciplina bíblica como elemento de cura e inclusão dos que entre ti fraquejam e tropeçam, levando-os invariavelmente ao retorno feliz, e curados, se levantam para ser referencial de vida a tantos outros que caem e tropeçam na caminhada.
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10. AMO TUA MISSÃO BASEADA NA COMUNHÃO VIVENCIAL COM O MUNDO. Quando compreendes claramente que o “ide” não é um imperativo, mas “indo”, um gerúndio de convivência relacional no dia-a-dia, dando idéia de “enquanto vão, preguem”. Isso envolve a necessidade da saída do reduto quentinho e confortável do templo para a convivência despretensiosa lá fora, e sem segundas intenções, encontrar as pessoas em seus habitats, áreas de convivência, trabalho e lazer, e se tornando uma delas, fazer o Evangelho conhecido pelo servir sem nenhuma pretenção, a não ser aquela de gerar grandes amizades com os que compartilham conosco a mesma jornada de vida. Tal qual Jesus faria...
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QUANDO AGES ASSIM, VIVES O QUE É SER IGREJA NO MUNDO E ENTENDES QUE SER IGREJA É MUITO MAIS DO QUE VEMOS POR AÍ... APESAR DE SER IMPRESSIONANTE O NÚMERO DOS QUE SE JACTAM PERTENCEREM AS TUAS FILEIRAS.
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Por Manuel Silva Filho
Fonte: Manuel DC

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Quarta-feira do terror


Tomado talvez por um espírito sadomasoquista (risos), nosso professor de Teologia Pastoral nos convidou para assistirmos um culto (culto?) quarta-feira no suntuoso templo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Já cansado de ouvir duras críticas ao movimento neopentecostal, principalmente às três grandes denominações midiáticas (Internacional, Mundial e Universal), resolvi ver com meus próprios olhos (desculpe a redundância) o que fazem os sósias de Edir Macedo.

Textos fora dos seus respectivos contextos, determinações a Deus, extorsões, manipulação da massa leiga, enfim, uma triste realidade.

Depois das críticas e brigas ferrenhas entre a Rede Globo e Record criei uma expectativa de que os fiéis pudessem ter mais discernimento quanto ao conteúdo do se prega por lá, mas infelizmente, o povo gosta de ser manipulado; e só falta repetir o jargão “me engana que eu gosto”.

Não víamos a Bíblia na mão dos fiéis; o pastor (entenda como lobo) pediu que abríssemos as Escrituras em Gênesis 26 e inflamado por uma “eisejegue” demoníaca conseguiu tirar do texto aquilo que ele nunca quis dizer. Coitado do pobre Isaque.

No fim, convidou os fiéis a depositarem suas ofertas num envelope, escreverem seus nomes em um copo d’água e depositarem em um poço montado no altar. Isso sem contar a rosa "ungida" e os constantes pedidos de ofertas exorbitantes.

Estas são apenas pequenas e singelas impressões que tivemos naquela fatídica quarta-feira no templo de mamon; e é bom que se fale pouco senão pecarei contra os “ungidos” do Senhor.

Caso queira ter uma melhor percepção do que foi esta triste quarta-feira, dêem uma olhadinha no Blog
Diversificando, editado por nosso prestimoso profº Marco Antônio.

No mais, vamos só descendo a ladeira.

sábado, 3 de outubro de 2009

I Have a Dream - Eu tenho um sonho


Sonho com uma igreja onde a Palavra tenha a primazia. O grito reformado de SOLA SCRIPTURA reverbera em meus ouvidos, com o som de vozes martirizadas pela verdade das Escrituras. Sonho com uma igreja onde a Palavra volte a ocupar o centro, onde tanto a pregação quanto a música sejam encharcadas de verdades bíblicas, e não de invencionices humanas.

Em meu sonho percebo a alegria do reencontro com a voz de Deus, amiga, suave, a permear todo o ambiente onde a igreja estiver reunida, pois onde se reúnem os “templos”(nós) ali está a Igreja (Mt 18.20).

Sonho com uma igreja sadia pelo ensino coerente das Escrituras Sagradas, onde esquisitices e maluquices são tratadas como o que realmente são: esquisitices e maluquices. Não se dá margem a unções novas, senão a unção que já temos no Santo de Deus (1 Jo 2.27). Não se ensina aquilo que não é bíblico pelo simples fato de, exatamente, não ser bíblico. Aquilo que é relativo em mim deve se curvar diante do absoluto da Palavra de Deus. O que sinto não sobrepõe o que leio nas Escrituras. Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso, inclusive eu, quando o que achar não for o que a Palavra realmente diz.

Sonho com uma igreja onde o pastor não é nada mais que um irmão revestido por Deus de um DOM para o crescimento da mesma. E desejo ser pastor um dia. Que eu mesmo testemunhe contra mim um dia se não for um pastor como o que sonho. Que haja fidelidade ao Deus que vocaciona e capacita. Que haja humildade para reconhecer que toda a capacidade vem dEle e não de mim mesmo. Que haja coerência entre o falar e o viver.

Sonho com uma igreja que tenha problemas, mas que aprenda com eles. Que haja graça no lidar com os que caem, sabendo que é pela graça que somos o que somos, e que a graça nos nivela sob o sangue de Cristo. Que ninguém seja “punido” de seus erros, mas corrigido com brandura para que o nome de Cristo seja exaltado na reedificação deste irmão.

Sonho com uma igreja que deixe de ser um tribunal para ser um hospital, onde os feridos são cuidados com amor e que, por esse amor, aprendam a amar e se firmem no Deus que é amor!

Sonho com uma igreja que faça da oração uma simples conversa com o Ser amado. Nada de exigências, nada de ordens, nada de decretos. Que, ao contrário das manifestações triunfalistas, nossas angústias e ansiedades sejam lançadas sobre Ele, sabendo que Seu cuidado é real. Que sejam orações sinceras, sem máscaras e sem farisaísmo, simplesmente que o nosso quarto seja o lugar de oração, não as praças públicas. Ninguém precisa saber que eu oro, mas que todos percebam de forma inequívoca que tenho comunhão com Aquele que é o Senhor.

Sonho com uma igreja onde não seja preciso apelos constantes à contribuição, mas onde a graça de Deus abunde nos corações de tal forma que o contribuir deixe de ser uma “carga” para ser um momento de festa, de alegria, pois é a esse momento que Deus aceita e ama. Que as necessidades dos irmãos sejam supridas em amor, mas também em gestos, sabendo que naquilo em que ajudo o meu irmão necessitado, a Deus mesmo o faço.

Sonho com uma igreja em que o culto seja vivo, mas não irracional. Uma igreja em que o culto seja tão suave como uma melodia clássica, mas tão impactante como uma marcha nupcial. Um ambiente onde quem já é salvo sinta-se em família, de verdade, sem títulos (ninguém em casa chama um irmão de “irmão” – irmãos se chamam pelo nome, ou apelidos carinhosos, mas nunca por “títulos”). Onde quem não é salvo queira conhecer a Deus simplesmente pela beleza do amor demonstrado entre os que ali estão.

Sonho com uma igreja onde o louvor seja algo espontâneo, onde haja liberdade para a adoração, mas que haja espírito e verdade. Que seja adoração em espírito, pois Deus é Espírito, mas que também seja adoração em verdade. Em verdade humana e em verdade bíblica. Que quando eu cantar para o meu irmão: “eu sou um com você...”, eu realmente seja assim, senão não é “em verdade”, e que seja uma verdade da Palavra, pois se não for assim, é adoração mentirosa. E que não seja preciso animadores de auditório e nem instrumentos sagrados para me levar ao “êxtase”, mas que a simples presença daquele que é digno de ser adorado me encha o coração e a boca, e que Ele se agrade do meu louvor, como cheiro suave.

Sonho, ainda, com uma igreja que celebre a ceia na esperança da volta do noivo, como uma mulher amada espera pelo seu amado ao anoitecer. Que haja alegria no partir do pão e no beber do vinho, pois não temos como participar da mesa que celebra a morte sem lembrarmos que a mesma morte foi vencida. Celebramos a ceia como um menino que relê um livro: já sabemos o final da história. E se ele venceu a morte, como tinha prometido é certo que voltará um dia para nos buscar, como prometeu.

Maranata, vem Senhor Jesus!

Há muitos outros sonhos pra sonhar...

Vamos sonhar juntos?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Percepções


Percebi que a igreja evangélica anda a passos largos para uma decadência igual ou superior a acontecida na Europa nos idos do séc. XIX, todavia, creio nas Escrituras quando falam dos sete mil joelhos remanescentes que não se dobrarão a esse paganismo pós-moderno.

Percebi que a má formação da liderança evangélica é uma das maiores causas dessa crise desmedida em nossos guetos eclesiásticos, portanto, urge que as novas safras de líderes que se levantam sejam mais prudentes em seus ensinos e pregações, colocando a Bíblia no seu devido lugar – como primazia.

Percebi que o movimento pentecostal tem se enveredado por um misticismo exacerbado com uma junção de espiritismo carregado de feitiçaria, por isso, é mister que os pentecostais “cheios do poder” deem menos importância ao dom de línguas e busquem diligentemente o vínculo da perfeição que é o amor. Quando isso acontecer, teremos menos gritaria em nossos cultos e mais manifestações das virtudes do fruto do Espírito.

Percebi que não agüento ficar mais de dez minutos em ambientes cúlticos de muito barulho e gritaria. Talvez, nessa minha peregrinação tenha me simpatizado mais com o tradicionalismo histórico do que pelo movimento pentecostal, porém, não sou cessacionalista, creio na manifestação contemporânea dos dons espirituais.

Percebi que o cristão que exala o bom perfume de Cristo não é aquele cheio dos dons espirituais, mas sim, aquele que é cheio do Fruto. Portanto, faz-se necessário que ensinemos aos neófitos a buscarem menos poder, fama e sucesso, pois essa trindade maldita começa pela busca desenfreada dos dons espirituais sem propósito de edificação.

Percebi que o exercício da contemplação e meditação são fontes mais eficazes de intimidade e relacionamento com Deus – pena que muitos insistem em um relacionamento (relacionamento?!) de barganha, troca e mercantilização das benesses de Deus. Enquanto isso, os mercadejantes da fé se apropriam da emotividade do povo leigo fazendo com que voltemos a Idade das Trevas onde se acreditavam que no tilintar de uma moeda no gazofilácio, uma alma era liberta do purgatório para o céu.

Percebi que os desbravadores da fé nos lançam no inferno se não retirarmos o “melhor” de nossas carteiras nos chamando até mesmo de trouxas quando ofertamos com amor e sem sentimento de toma-lá-dá-cá. Segundo os “profetas” da prosperidade, temos que dar e exigir que Deus nos retribua em dobro. Receio que a Bíblia apócrifa deles esteja isenta das palavras de Paulo aos coríntios quando diz que o nosso generoso ato de ofertar deve ser sempre voluntário, com alegria e segundo a prosperidade de cada um.

Enfim, necessário é que nossas percepções estejam cada vez mais aguçadas para que não caiamos nas sutilezas dos lobos travestidos de pastores, pois o que Jesus disse sobre matar, roubar e destruir (Jo 10.10) nada tem a ver com o diabo e sim com os mercenários, ladrões e salteadores da fé.

sábado, 26 de setembro de 2009

Até quando???


Como tem sido difícil assistir um culto pentecostal nas igrejas atuais; confesso, saí frustrado do último que fui. As raízes pentecostais não tem nada a ver com isso que chamamos hoje de manifestações do Espírito.

Sei que corro o risco de ser chamado de frio, de intelectual e outros nomes mais. Portanto, não me renderei a esse pseudoevangelho pregado nos púlpitos da igreja moderna.

Como pode alguém ir ao um “culto de poder” e sair pior do que entrou? Que tanto poder é esse que é “liberado” pelos evangelistas e pastores, que não tem eficácia na vida existencial deles próprios? Que tanta “unção” é essa que é exalada de seus paletós e não transforma a vida dos fiéis? Até quando veremos os manipuladores de auditórios manobrando as massas para um falso evangelho?

Até quando vamos chamar de “cristãos” esses falsos líderes? Eles inventaram outra religião. Abandonaram o cristianismo. Não falam da cruz de Cristo e da regeneração do Espírito Santo como solução para toda e qualquer escravidão espiritual. Não falam do discipulado de Jesus Cristo como compromisso com o Reino de Deus, o que exige arrependimento e submissão absoluta ao Rei Eterno, o que implica mudança de vida e serviço abnegado.

Continuo a peregrinar com minhas incertezas, sabendo que o Deus da igreja dará um escape aos seus pequeninos que anseiam viver humildemente, praticando a justiça e amando a misericórdia.
Continuo a crer nas manifestações do Espírito Santo na vida do cristão; continuo a crer na transformação do homem caído; e continuo a ter esperança que a nossa missão é manifestar, aqui e agora, a maior densidade possível do Reino de Deus, que será consumado ali e além.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Pregando no abc dal

Humor Los Hermanos


Acerto de contas

Três padres, um americano, um brasileiro e um argentino estão voltando de uma visita ao Vaticano quando uma das turbinas do avião explode. Uma gritaria, um corre-corre desgraçado e todo mundo pulando de pára-quedas. Quando os três padres dão por si, estão sozinhos e sem nenhum pára-quedas.
O americano, ajoelha-se, na porta do avião e diz:
- Senhor, entrego a minha alma em suas mãos! Pula e espatifa-se no chão.
Em seguida o padre brasileiro, ajoelha-se e diz:
- Senhor, se puder poupar a minha vida, prometo que vou arrebanhar ainda muitos fiéis para a sua Igreja. Pula e espatifa-se no chão.
Em seguida o padre argentino:
- Mi Diós, Yo sé que o Señor vá a me salvar. Usted no puede permitir que el mejór de sus sacerdotes morra... afinal, o que será de Ti sem mim?
Pula e de repente, as nuvens se abrem e uma mão enorme o apanha no ar.
- Yo sabia... Yo sabia... - gritou o padre todo contente.
E então, uma voz forte retumbou:
- Este Yo quiero matar pessoalmente!


O padre e os argentinos

Na fronteira do Brasil com a Argentina a igreja mais próxima era do lado brasileiro, o que trazia os argentinos sempre à missa. Certo dia o padre diz:
- Irmãos, hoje vamos falar dos fariseus, aquele povo desgraçado, como esses argentinos que aqui estão.
Toda a congregação se alarmou, virou um alvoroço total. Ao fim da missa o prefeito da cidade diz ao padre:
- O sr. não pode fazer isso, esses argentinos fazem a maioria de suas compras aqui, eles gastam todo seu dinheiro em nossa cidade, não podemos perdê-los. E prometa que não irá ofendê-los novamente!
- Tudo bem! Diz o padre.
No outro domingo o padre começa a ladainha:
- Hoje iremos falar de Maria Madalena, aquela prostituta, como essas argentinas que aqui estão. Novamente o alvoroço foi total, não ficou um argentino dentro da igreja. No final o prefeito novamente vai ao padre e diz:
- Mas padre, o senhor me prometeu que não iria mais fazer isso. O que aconteceu?
O Padre disse que não conseguiu se conter, mas que não iria se repetir. No domingo, o prefeito apreensivo, espera o inicio do sermão, temendo o que o padre faria dessa vez.
- Irmãos, hoje iremos falar da Santa Ceia. - Diz o padre.
O que deixa o prefeito e a congregação mais aliviados.
Continuando, o padre diz: - Naquela noite, Jesus disse: O meu traidor está aqui na mesa.
- O que Pedro diz: Mestre, por acaso sou eu?
- Não, não é você Pedro. Diz Jesus.
João prossegue: - Mestre, serei eu?
Jesus diz: - Não é você João.
Ouvindo os colegas perguntarem, Judas Iscariotes, assustado diz: - Mestre, por acaso soy yo?


Inundação argentina

Um argentino e um brasileiro estão perdidos no deserto há vários dias até que encontram uma lâmpada mágica. Eles esfregam e dela sai um gênio:
- Olá... Cada um de vocês tem direito a um pedido?
- Um pedido? Que eu saiba eram três! - diz o brasileiro.
- É, amigo... Eram, eram! Com essa crise do petróleo, é só um! Agora façam seus pedidos.
O argentino logo pensa e diz:
- Gênio, eu quero que você construa um muro em volta de toda Argentina para que nenhum brasileiro possa mais entrar no nosso país!
- Seu desejo é uma ordem! Depois de construir o muro o gênio pergunta:
- E você, brasileiro? O que vai querer?
- Quero que você encha aquilo lá de água!


Pesquisa fracassada

A ONU resolveu fazer uma pesquisa em todo o mundo. Enviou uma carta para o representante de cada país com a pergunta: "Por favor, diga honestamente qual é a sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo". A pesquisa foi um grande fracasso. Sabe por quê?
Todos os países europeus não entenderam o que era "escassez".
Os africanos não sabiam o que era "alimento".
Os cubanos estranharam e pediram maiores explicações sobre o que era "opinião".
Os argentinos mal sabem o significado de "por favor".
Os norte-americanos nem imaginam o que significa "resto do mundo".
O congresso brasileiro está até agora debatendo o que é "honestamente".


Pena capital

Num boteco da Arábia, discutindo futebol, um uruguaio, um argentino e um brasileiro se pegaram no tapa e acabaram indo para a Delegacia. Como punição, o delegado ordenou que cada um deles levasse 50 chibatadas. Mas antes disso, cada um poderia ter um desejo atendido.
O uruguaio foi o primeiro. Pediu para lhe colocarem um travesseiro às costas, mas logo na terceira chibatada, o travesseiro rasgou.
O segundo foi o argentino. Pediu para lhe colocarem um casaco de couro, mas logo na quinta chibatada, o casaco rasgou.
Então, chegou a vez do brasileiro, e como o capataz era fã do Ronaldinho, lhe deu o direito a dois desejos:
- Como primeiro desejo eu gostaria que a minha pena fosse triplicada e em segundo lugar que vocês amarrassem o argentino nas minhas costas!


Gaúchos e argentinos

Três gaúchos e três argentinos estavam viajando de trem para um congresso. Na estação, os três argentinos compraram um bilhete cada um, mas viram que os três gaúchos compraram um só bilhete.
Como é que os três vão viajar só com um bilhete? - perguntou um dos argentinos.
- Espere e verá. - respondeu um dos gaúchos.
Então, todos embarcaram. Os argentinos foram para suas poltronas, mas os três gaúchos se trancaram juntos no banheiro. Logo que o trem partiu, o fiscal veio recolher os bilhetes. Ele bateu na porta do banheiro e disse:
- O bilhete, por favor. A porta abriu só uma frestinha e apenas uma mão entregou o bilhete. O fiscal pegou o bilhete e foi embora. Os argentinos viram e acharam a idéia genial. Então, depois do congresso, os argentinos resolveram imitar os gaúchos na viagem de volta e, assim, economizar um dinheirinho (reconhecendo a inteligência superior dos gaúchos). Quando chegaram na estação, compraram só um bilhete. Para espanto deles, os gaúchos não compraram nenhum.
- Mas, como é que vocês vão viajar sem passagem? - um argentino perguntou perplexo.
- Espere e verá. - respondeu um dos gaúchos.
Todos embarcaram e os argentinos se espremeram dentro de um banheiro e os gaúchos em outro banheiro ao lado. O trem partiu. Logo depois, um dos gaúchos saiu, foi até a porta do banheiro dos argentinos. Bateu e disse:
- A passagem, por favor.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Por um Deus mais frágil


A nossa esperança e o nosso testemunho não podem ser fundados na fé em Deus-poder ou na divinização de alguma pessoa, grupo social ou instituição. A fé cristã nos apresenta um caminho inverso: ao invés da divinização de um ser humano muito poderoso ou de alguma instituição social (como o mercado) ou religiosa – proposta sedutora de muitas religiões e ideologias sociais –, o Evangelho de Jesus nos propõe um Deus que se esvazia do seu poder divino para entrar na história como escravo, e como escravo se assemelhar ao humano (Filipenses 2.6,7).

Deus se revela no esvaziamento do poder para mostrar que o poder e o sucesso não são sinônimos da justiça e da santidade. Pessoas ou igrejas que se consideram justas e santas porque são ricas e/ou poderosas ou porque têm muito ibope não conhecem a verdade sobre Deus e sobre o ser humano. Não é a riqueza que lhes dá dignidade e justifica a sua existência; a nossa existência está justificada e nós somos dignos antes da riqueza, poder ou sucesso, pois nós somos justificados pela graça de Deus que se esvaziou do poder porque ama gratuitamente a toda a humanidade e a toda a criação.

Essa fé e esperança podem ser experienciadas quando perseveramos na nossa opção pelos pobres e por uma Igreja mais servidora do Povo de Deus, mesmo quando a contabilidade de nossa luta e a frustração pessoal nos diz que não há mais por que esperar. No momento em que perseveramos somente porque amamos é que podemos testemunhar esta esperança que é a esperança cristã, que nasce da morte na cruz de um Deus encarnado.

Por Jung Mo Sung

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Pode ser que eu esteja errado


Pode ser que eu esteja errado, mas gosto de caminhar em meio a alguns aparentes paradoxos. Um Deus que é soberano sobre tudo e todos, mas cede às suas criaturas liberdade de arbítrio, onde estas decisões geram até mesmo violência e morte, deixa alguns a pensar que Deus não é tão soberano assim. O problema é que precisamos redefinir o conceito de soberania.
Entendo soberania como a crença de que nada pode impedir Deus de executar sua vontade a não ser Ele mesmo. O homem é livre porque Deus quer, e não porque Deus foi destituído de sua soberania.

Pode ser que eu esteja errado: um Deus que possui a onisciência como um de seus grandes atributos, certamente conhece cada um que entrará pelos portais da eternidade, mas nem por isso predestinou tais criaturas.

Pode ser que eu esteja errado: creio que a Bíblia é a Palavra de Deus e contém a palavra do homem, todavia, contém até mesmo a palavra do diabo. Oohhh!!! não deveria ter dito isto – os fundamentalistas vão me execrar.

Pode ser que eu esteja errado: creio que a oração é umas das ferramentas mais poderosas que temos a nosso favor, porém, alguns podem se perguntar: "pra quê orar solicitando as benesses e livramentos de Deus se Ele sabe de tudo que acontecerá comigo daqui há dez ou vinte anos?" Faz-se necessário reformularmos nossos modelos de orações. Na verdade, o resultado da oração não é necessariamente a mudança da situação a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora, pois a mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, mas a mudança do coração e da mente de quem ora é uma realidade.
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Pode ser que eu esteja errado: estudar teologia é uma loucura. Como pode um ser limitado que sou, tentar dissecar um Ser ilimitado que é o EU SOU? Para não enlouquecer, apelo para o Consolador, o Deus conosco.

Pode ser que eu esteja errado: creio que fé é coragem de acreditar que os valores, princípios e verdades propostos por Jesus são suficientes para enfrentar a vida com tudo o que ela trouxer, de bom e de ruim. Mas muitos insistem apenas na definição do escritor da epístola aos hebreus, pautando sua fé apenas em tentar mover a mão de Deus por meio de milagres e operações de maravilhas.

Pode ser que eu esteja errado: creio que a salvação e vida eterna são verdades absolutas do cristianismo, mas muitos chegarão no céu sem nunca ter ouvido a mensagem de salvação desenvolvida pelos enlatados teológicos americanos.

Pode ser que eu esteja errado: creio em todas as narrativas bíblicas que pontuam verdades sobre o dízimo e ofertas, mas também creio piamente que o dízimo não é para a igreja do Novo Testamento. Apesar de ser um "dizimista fiel", bato na tecla de que Deus não está preocupado com os meus dez por cento, e sim, no meu ato de dar com alegria e voluntariamente. Os dez por cento é apenas um parâmetro; mas muitos insistem em dar até os centavos do líquido ou do bruto, achando que Deus se deixa enganar por nossa barganha.

São apenas algumas considerações de um acrisolado estudante de teologia.

Pode ser que eu esteja totalmente errado...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Humor apostólico


Dando aos pobres

Em uma daquelas igrejas que salvam sua alma a base de uma "ajudinha financeira", o pastor olha para a platéia e diz:
- Vamos passar a cesta e, se tiveres como colaborar, dai, irmão. Dai toda a quantia que puderes! Os fiéis, mesmo os mais pobres, acabam dando o que têm no bolso e mesmo os que não têm ficam constrangidos de não dar nada.
Nem bem a sacola caiu nas mãos dos fiéis, o primeiro gritou:
- Eu tenho 10 reais! - e colocou seu dinheiro lá dentro.
Na vez do segundo, ele fala:
- Eu tenho 20 reais! - e lá se foram mais 20 reais. A cesta ia enchendo, até que ela caiu na mão de um cara que estava lá só pra conhecer. Como ele era um sujeito honesto e estava muito necessitado, gritou:
- Eu não tenho nada! O pastor retrucou de imediato:
- Então pegai, irmão! Se precisas realmente, pegue tudo para você!
Emocionado, o rapaz pegou o dinheiro, guardou no bolso, e disse:
- Pôxa, pastor. Sempre achei que essas igrejas só quisessem nosso dinheiro, mas vocês encheram meus bolsos!
- Sim, irmão! - respondeu de pronto o pastor - Mas agora que tens, coloque tudo aí na cesta!
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Jesus no SUS
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Penalizado com a insatisfação dos brasileiros com o sistema de saúde pública no país, Jesus resolveu vir à Terra como médico do SUS. Escolheu um hospital público bem fuleiro e desceu, de avental e tudo. Passando pela imensa fila no corredor e chegando na sala do médico de plantão, Ele lhe disse:
— Pode ir, amigo! Deixa comigo!
O outro médico foi pra casa feliz da vida, dando graças a Deus por seu plantão ter terminado duas horas antes.
Os pacientes ficaram esperançosos com a chegada do novo médico. (Eles estavam há três dias na fila e nunca tinham visto um médico!)
Então o primeiro paciente entrou na sala. Um homem paraplégico em sua cadeira de rodas. Quando o viu, Jesus falou:
— Levanta-te e anda!
E o paraplégico, quer dizer, ex-paraplégico saiu da sala empurrando sua cadeira.
Rapidamente os seus colegas da fila perguntaram:
— E aí? Como foi? Esse médico é bom?
— Mais ou menos! — respondeu o ex-aleijado. — Ele é que nem os outros... Nem examina a gente!
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Empréstimo ao santo
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O bêbado vai à igreja e surrupia uma nota de cinco Reais de uma bandeja em frente a uma imagem de São Benedito.
— Empresta aí, negão! Depois te pago! E sai em direção ao boteco quando um guarda, que tinha visto o episódio, bate em suas costas.
— Escuta, meu chapa, vá devolver o dinheiro do santo senão te boto em cana. O bêbado entra de novo da igreja, deposita o dinheiro no lugar onde estava e reclama:
— Pô, negão! Qualé a tua? Eu falei que ia devolver, não precisava dar parte na polícia!
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O segredo do sete
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Você sabe por que muitas pessoas costumam cortar o número 7 pela metade ao escrevê-lo? Estava toda a multidão reunida aos pés do Monte Sinai para ouvir os 10 mandamentos proclamados por Moisés, quando, ao chegar no 7º mandamento, ele disse em alto e bom som:
— Não cobiçarás a mulher do próximo!
E a multidão enlouquecida, instantaneamente gritou em coro:
— Corta o sete! Corta o sete!
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Dormindo na Missa
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Os pais levam o menino e a menina para a igreja. Eles se sentam na primeira fila para que o menino possa apreciar bem a missa, mas ele adormece no meio do sermão. O padre percebe, e decide dar um susto no moleque. Ele faz uma pergunta direta pro garoto:
— Menino, diga quem criou o céu e a terra?
A irmã do guri espeta um alfinete na bunda do menino que acorda assustado e grita:
— Meu Deus!
— Muito bem, meu filho — diz o padre. Afinal, a resposta não está errada.
Mas daí a pouco o menino volta a dormir, e o padre aponta para ele outra vez e pergunta:
— Responda agora, garoto. Quem foi o filho de Maria e José?
A menina volta a enfiar um alfinete na bunda do menino, que acorda e diz bem alto:
— Jesus! O padre percebe o que aconteceu, mas não pode dizer nada. A resposta estava correta!
Logo depois o menino cochila novamente e o padre pergunta:
— O que disse Eva para Adão quando eles acordaram no primeiro dia?
Mas antes que a irmãzinha pudesse dar-lhe outra alfinetada, o menino berra:
— Se você enfiar esse negócio na minha bunda de novo, eu te arrebento!
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O bêbado em Jerusalém
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Ao ver Madalena na iminência de ser apedrejada, Jesus se aproxima dela, segura-lhe a mão e fala para o povo aglomerado à sua volta:
- Aquele que nunca errou, que atire a primeira pedra!
De repente, pimba! Um tijolo enorme acerta bem no meio da testa da pobre mulher.
- Quem fez isto? - pergunta Jesus indignado.
- Fui eu! - responde o bêbado.
- Você por acaso nunca errou?
- Desta distância nunca!
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Malamém
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Em uma sala de aula cada aluno tinha medo de uma certa coisa. Um certo dia a professora dessa sala resolveu perguntar do que cada um tinha medo.
- Aninha,do que você tem medo?
- De cobra.
- Carlos do que você tem medo?
- Tenho medo de bandido.
- Joãozinho do que você tem medo?
- Tenho medo do Malamém
- Malamém menino! O que é Malamém?
- É uma coisa que a mamãe pede que se afaste de nossa família toda noite antes de dormir. - Como assim?
- Toda noite antes de dormir a mamãe diz: livrai-nos do MAL-AMÉM.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Teologia da causa e efeito


"Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." 1 Tm 6:3-10


Tem horas que me pergunto: "Em que desvio, esse pessoal se perdeu? O que é que essa turma anda bebendo?".

Quando vejo esse cambalacho todo, essas negociatas com Deus sendo prometidas como certas e pior: procuradas por quem se diz conhecedor de Cristo e da Sua Palavra, imagino onde tudo isso vai dar. Como diz esse texto acima, em boa coisa é que não.

Deus não se deixa enganar. Mas a história mostra que a coisa é antiga.

Os cristãos não se conformam com a mensagem do Evangelho, mensagem segundo a piedade - que é o entendimento de que devemos render a Deus a honra, a devoção, a afeição, o amor, a misericórdia, é soberbo e nada entende e delira.

É assim que vivem os que desfilam carros, mansões,... até aviões, pregando o outro evangelho que, certamente não o é de Cristo. Lucrando em cima de gente de quem eu já tive pena.

E só fazem isso, pois estão cheios de seguidores que pagam e mantêm isso tudo vivendo essa ilusão e acham que, como enganam e são enganados, podem também, levar Deus nessa conversa.

Como dizem cá em Portugal: "Dão um chouriço para ganharem um porco." Essa é a velha teologia da "causa e efeito", que é antes, espírita, hinduísta,... menos cristã - Dê e pressione Deus contra a parede! Tenha-O nas mãos!

Não há o sentido de ofertar por gratidão, com alegria, sem constrangimento, obrigação (ou terrorismo como fazem os vendilhões do templo) - como recomenda Paulo aos que ofertam, escrevendo aos Romanos.

Já não há o conformarmo-nos e sermos gratos a Deus pelo que Ele nos dá, há sim, o apelo à ganância e ao lucro fácil. Trabalhar? Servir? Não! De jeito nenhum! Seja dono do seu próprio negócio. Fique rico... Como prometem os "ungidos" da hora nas correntes de fé e fogueiras-santas da TV.

E dá-lhe profetadas: "Deus vai dar a você lucros extraordinários, comprar coisas por preços abaixos do mercado" (ou seja, Deus vai ferrar algum mané, dar um tombo em algum idiota ou viúva incauta para que você lucre às suas custas) como ouvi esses dias da boca do "apóstolo" que foi preso nos Estados Unidos, pretensamente falando por Deus. O cara volta da cana e continua o mesmo...

O que a Bíblia diz sobre essa "Teologia do Porco e do Chouriço"? Eu repito: Essa não é doutrina do nosso Senhor, ou ensino de Deus. É sim a dos demônios.

O final está ai. Só não lê quem não quer: porfias, contendas, desvio da fé e muitas dores no final.

Depois não digam que Deus não avisou!

Por Rubinho Pirola
Blog Genizah

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Criado para pensar


Começo com a criação. Deus fez o homem à sua própria imagem, e um dos aspectos mais nobres da semelhança de Deus no homem é a capacidade de pensar. É verdade que todas as criaturas infra-humanas têm cérebro, alguns rudimentos, outros mais desenvolvidos. O Sr. W.S. Anthony, do Instituto de Psicologia Experimental de Oxford, apresentou um trabalho perante a Associação Britânica, em setembro de 1957, no qual descreveu algumas experiências com ratos. Ele pôs obstáculos às entradas que continham alimento e água, frustrando-lhes as tentativas de encontrar o caminho naquele labirinto. Descobriu que, diante do labirinto mais complicado, seus ratos demonstraram o que ele denominou de “dúvidas intelectual primitiva”! Isso bem pode ser verdade. Todavia, mesmo que algumas criaturas tenham dúvidas, somente o homem tem o que a Bíblia chama de “entendimento”.

A Escritura assegura e evidencia isso a partir do momento da criação do homem. Em Gênesis 2 e 3 vemos Deus comunicando-se com o homem de um modo segundo o qual Ele não se comunica com os animais. Ele espera que o homem colabore consigo, consciente e inteligentemente, no cultivo e na conservação do jardim em que o colocara , e que saiba diferenciar- tanto racional como moralmente - entre o que lhe é permitido e o que lhe proibiu de fazer. Ainda mais, Deus chama o homem para dar nomes aos animais, simbolizando assim o senhorio que lhe dera sobre essas criaturas. E Deus cria a mulher de maneira tal que o homem imediatamente a reconhece como companheira idônea de sua vida, e então irrompe espontaneamente primeiro poema de amor da História!

Esta racionalidade básica do homem, por criação, é admitida em toda a Escritura. Na realidade, sobre esse fato se apóia o argumento normal que, sendo o homem diferente dos animais, ele deve comportar-se também diferentemente. “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento”. Em conseqüência, o homem é escarnecido e repreendido quando o seu comportamento é mais bestial que humano (“eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença”), e quando a conduta de animais é mais humana que a de alguns homens. Pois que às vezes os animais de fato superam os homens. As formigas são mais trabalhadoras e mais previdentes que o folgadão. Os bois e jumentos muitas vezes dão a seus donos um reconhecimento mais obediente do que o povo Deus ao Senhor. E os pássaros migratórios são melhores no arrependimento, já que quando partem em migração sempre retornam, enquanto que muitos homens que se desviam não conseguem voltar.

O tema é claro e desafiador. Há muitas semelhanças entre o homem e os animais. Mas os animais foram criados para se conduzirem por instinto, enquanto que os homens (apesar dos “behavioristas”), por escolha racional. Dessa forma os homens, ao deixarem de agir racionalmente, procedendo por instinto à semelhança dos animais, estão se contradizendo, contradizendo sua criação e sua diferenciação como seres humanos, e devem Ter vergonha de si próprios.

De fato é verdade que a mente do homem está afetada pelas devastadoras conseqüências da Queda. A “depravação total” do homem significa que cada parte constituinte da sua humanidade foi, até certo ponto, corrompida, inclusive sua mente, a qual a Escritura descreve como “obscurecida”. Com efeito, quanto mais os homens reprimem a verdade de Deus que reconhecem, mais “fúteis”, ou mesmo “insensatos” se tornam no seu pensar. Podem declarar-se sábios, mas são tolos. A mente deles é a “mente da carne”, a mentalidade de uma criatura decaída, e é basicamente hostil a Deus e à sua lei.

Tudo isso é verdade. Mas o fato de que a mente do homem é decaída não nos pode servir de desculpa para batermos em retirada, passando do pensamento à emoção, já que o lado emocional da natureza humana está igualmente decaído. De fato, o pecado traz mais efeitos perigosos à nossa faculdade de sentir do que à nossa faculdade de pensar, porque nossas opiniões são mais facilmente controladas e reguladas pela verdade revelada do que nossas experiências.

Assim, pois, apesar do estado decaído da mente humana, ainda o homem lhe é ordenado pensar e usar sua mente, na condição de criatura humana que é. Deus convida o Israel rebelde. “Vinde, pois , e arrazoemos, diz o Senhor”. E Jesus acusou as multidões descrentes, inclusive os fariseus e saduceus, por poderem interpretar as condições meteorológicas e preverem o tempo, mas não poderem interpretar “os sinais dos tempos” nem preverem o julgamento de Deus. “Por que perguntou-lhes. Em outras palavras: por que não usais os vossos cérebros? Por que não aplicais ao campo moral e espiritual o sentido comum que empregais no físico?”

A sociedade secular, por esse mundo a fora, concorda com o ensino da Escritura acerca da racionalidade básica do homem, constituída em sua criação e não de todo destruída na Queda. Os propagandistas podem dirigir os seus apelos promocionais aos nossos apetites mais baixos, mas eles não têm nenhuma dúvida de que temos a capacidade de distinguir entre produtos: de fato, muitas vezes até mesmo chegam a lisonjear o consumidor que discrimina. Quando sai a primeira notícia de um crime, geralmente ela vem com a frase “o motivo ainda não foi descoberto”. Pressupõe-se, como se vê , que mesmo a ação criminosa tem uma motivação, seja ela qual for. E quando nossa conduta é mais emocional do que racional, ainda assim insistimos em “racionalizá-la”. O próprio processo chamado “racionalização” é significativo. Indica que o homem de tal forma se constituiu num ser racional que quando não tem razões para a sua conduta ele tem que inventar alguma para se satisfazer.

John Stott
Extraído do livro "Crer é também pensar"

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sogra é sogra



Pedido Desesperado

Um homem pega o telefone e liga desesperado:
— Socorro, a minha sogra quer se suicidar... Ela quer se atirar da janela!
O homem do outro lado diz:
— Tá, mas o senhor errou o número... Aqui é da carpintaria!
— Eu sei! Eu sei! É que a janela não quer abrir!


Relógio Assassino

A mulher comenta com o marido:
— Querido, hoje o relógio caiu da parede da sala e por pouco não bateu na cabeça da mamãe...
— Maldito relógio! Sempre atrasado...


Mãe é Mãe

O rapaz chega em casa muito animado e diz para sua mãe que se apaixonou e quer se casar.
A mãe inicia uma série de perguntas e ele faz a seguinte proposta:
— Ah, mãe, vamos fazer o seguinte: amanhã eu vou trazer aqui três mulheres e você tenta adivinhar com qual delas eu vou me casar.
A mãe acaba por concordar com o teste. No dia seguinte, ele traz a sua casa três mulheres lindíssimas. Elas sentam-se no sofá e ficam conversando com a mãe do rapaz durante um bom tempo.
Depois de horas de conversa entre elas o rapaz chega e pergunta:
Então mãe, você é capaz de adivinhar com qual delas eu vou me casar?
A mãe responde imediatamente:
— Sim, com a do meio.
O rapaz fica surpreso e pergunta:
— É incrível mãe. Você acertou! Mas como é que adivinhou?
A mãe responde:
— Foi simples. Não gostei dela...


Mordida de Cachorro

O sujeito estava no bar tomando uma pinga, quando um funeral chamou a sua atenção. Atrás do carro fúnebre seguia um homem com o seu cachorro e, atrás dele, uma fila indiana com umas mil pessoas.
Curioso, ele se aproximou do homem com o cachorro e comentou:
— Com tanta gente, a pessoa que morreu devia ser muito famosa, hein...
— Era a minha sogra! — respondeu o homem.
Puxa! Meus sentimentos! Ela morreu de quê?
— Foi mordida por este cachorro!
Depois de alguns segundos de silêncio, o homem que estava no bar cria coragem e diz:
— Será que o senhor poderia me emprestar o seu cachorro, por um momento?
— Claro! Entre na fila!


Sogra Mala

O sujeito está saindo do seu apartamento com uma mala e cruza com o vizinho, que pergunta:
— Onde você vai com essa mala, Alberto?
— Ah, me cansei da minha sogra! Pra você ter uma idéia, só hoje ela me xingou de vagabundo, inútil, preguiçoso, insensível, cretino, fracassado... Cansei!
— O quê? Que velha folgada! Eu fico louco com essas coisas! Dá vontade de matar, cortar em pedacinhos e jogar no rio!
— E o que você acha que eu estou levando aqui dentro dessa mala?


Acreditando no Inferno

A garota chega para mãe reclamando do ceticismo no namorado.
— Mãe, o Mário diz que não acredita em inferno!
— Case-se com ele, minha filha, e o resto deixa comigo que eu o farei acreditar!


Morte da Sogra

O cara chega pro amigo e fala:
— Minha sogra morreu e agora fiquei em dúvida, não sei se vou trabalhar ou se vou pro enterro dela... O que é que você acha, cara?
E o amigo:
— Como diz o ditado: primeiro o trabalho, depois a diversão!


Enterra ou crema?

A sogra do cara morreu. Um amigo perguntou:
- O que fazemos? Enterramos ou cremamos?
- As duas coisas. Não podemos facilitar!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

15 mil acessos


Estamos profundamente felizes pela marca que atingimos neste fim de semana.

O Reflexões do Reino atingiu um score de 15 mil acessos em pouco mais de um ano no ar. Essas visitas compreendem irmãos de todas as localidades do Brasil e do mundo – e o que iniciou como indignação ao sistema evangélico brasileiro, tornou-se um hobby prazeroso.

Salientamos a presença maciça dos portugueses, americanos, japoneses, alemães, angolanos, italianos, suíços, franceses, romenos e peruanos, encabeçando a lista dos 10 países que mais nos visitam por esse mundão a fora.

Tratamos dos assuntos mais diversos possíveis, passando pela política, mídia, religião e humor, fazendo sempre links com a espiritualidade cristã.

Neste mundo da blogosfera muitos amigos virtuais foram feitos e nos edificamos mutuamente com os blogs parceiros. Aprendi a lidar com a opinião contrária e principalmente respeitar os que não concordam com nossos posicionamentos.

Prêmios diversos foram recebidos em forma de selos carinhosos como prova de que nosso trabalho não tem sido vão diante do Senhor.

Vale ressaltar que o mundo da blogosfera é muito vasto e o Reflexões do Reino não tem intenção nenhuma de angariar acessos por competitividade, mesmo porque, 15 mil acessos é muito pouco levando em consideração os catedráticos blogueiros que conseguem em apenas um dia mais de mil visitas.

Somos apenas uma gotinha no oceano da blogosfera e isso já nos deixa motivados em contribuir para o Reino de Deus escrevendo e protestando contra as mazelas que acontecem no meio dos que se dizem cristãos.

Longe de mim apresentar-me para nosso leitor como um puritano, mas de uma coisa (odeio usar essa palavra) tenho certeza: Caráter não pode faltar. Talvez a imagem que passamos ao leitor que não nos conhece é de um rebelde agressivo, portanto, são somente impressões.

Amo meu Senhor Jesus o qual me redimiu e me deu vida, e quanto mais vejo as atrocidades que fazem com a igreja de meu Senhor, mais indignado fico, e as reflexões ficam sempre mais picantes e apimentadas.

Agradecemos a você, blogueiro, internauta, cristão ou não, que dispõe de seu tempo para caminhar lado a lado conosco sempre acompanhando nossa odisseia cristã em busca de um relacionamento mais sincero com o Autor da vida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Estou convencido


Estou convencido que o movimento evangélico brasileiro vive uma crise ética desmedida – os discursos destoam na prática – urge que a nova safra de líderes atentem para a formação de seus carateres; o nome de Jesus tem sido difamado, e a culpa é exclusivamente nossa.

Estou convencido que quando Jesus falou de igreja nos relatos neotestamentários, se referia a pessoas e não instituições, porém, com o advento da pós-modernidade seria quase impossível a não-institucionalização da igreja – pena que junto com a institucionalização veio enraizada a prática do nepotismo.

Estou convencido que o discipulado deve ser encarado como a fase mais importante da vida cristã, mas muitos insistem que as experiências extravagantes já nos bastam para sermos líderes, pastores e apóstolos, mesmo sendo ainda neófitos na seara de Deus.

Estou convencido que a mídia evangélica brasileira tem realizado um grande trabalho de evangelização nacional e até mesmo mundial, porém, junto com a propagação do nome de Jesus é acrescido uma gama de ensinamentos recheados de heresias, que se propagam junto com um amontoado de jargões, que no final das contas, Jesus não é mais encontrado no meio de nós. Fica uma pergunta: Será que essas “conversões” em massa têm sido relevantes para uma sociedade melhor?

Estou convencido de que a lei no serviu como aio, ou seja, nos pegou pela mão, mostrou nossos erros e nos conduziu a Cristo, entretanto, muitos ainda insistem em cumprir ordenanças da lei como mandamentos imprescindíveis para salvação. Pobre de mim...

Estou convencido que uma vida de contemplação e meditação como forma de comunhão com Deus tem me transformado em uma pessoa melhor, porém, segundo um tele-evangelista que diz que “quem não faz barulho está com defeito de fabricação” a forma de se chegar mais próximo de Deus é em meio aos berros e a glossolalia. Infelizmente, existiu um tempo que dava crédito ao tele-pregador, entretanto, me via cada vez mais alienado em dialogar com o mundo – hoje meu testemunho é muito mais visível aos de fora dos arraiais evangélicos e apesar de ser pentecostal e receber de Deus o dom de variedades de línguas, utilizo-me deles para edificação pessoal e da comunidade cristã a qual faço parte.

Estou convencido que a diabólica teologia da prosperidade tem devastado muitas igrejas, inclusive as tradicionais. Tais adeptos têm transformado a igreja em empresas, onde impera o nepotismo e o narcisismo, e por sua vez, o Reino de Deus é lançado na sarjeta por não ser fonte de lucro para os mercadejantes da fé.

Estou convencido que a Graça de Deus contrapõe toda e qualquer religião, mas muitos persistem em esmerar esforços para entrar no Seio de Abraão; estipulam regras e condições desmerecendo todo arcabouço da graça que as Escrituras conceitua de favor imerecido.

Estou convencido que Jesus Cristo é Deus que se fez homem em prol da humanidade caída, porém, os “avivalistas” perseveram em afirmar que Jesus é fonte de bênçãos e vitórias.

Estou convencido que as Escrituras possuem tudo que o homem precisa para suas necessidades espirituais, entretanto, existe uma série de hereges que teimam em propagar novas revelações e experiências mirabolantes que com o passar do tempo se tornam doutrinas inegociáveis em seus “impérios”.

Estou convencido que meus escritos são junções de palavras emaranhadas que com muito esforço tento dar algum sentido para elas. Sei das dificuldades deste dom, mas insistirei como um analfabeto na arte do vernáculo, que um dia aprenderei a discorrer com maestria com os dedos no teclado.

Finalizo meus convencimentos citando Henri Nouwen que diz que “ministério e espiritualidade nunca podem estar separados. Ministério não é emprego das 9h às 17h, mas essencialmente um modo de vida [...] Há hoje uma grande fome por uma nova espiritualidade, que é uma nova experiência com Deus em nossas vidas. Esta experiência é essencial para cada ministro, mas não pode ser encontrada fora dos limites do ministério. Deve ser possível encontrar as sementes desta nova espiritualidade bem no centro do serviço cristão. Oração não é preparação para o trabalho nem uma condição indispensável para um ministério eficaz. Oração é vida; oração e ministério são a mesma coisa e não podem estar divorciados um do outro. Se estiverem, o ministro se torna como um eletricista ou um encanador, e o ministério passa a ser apenas outro modo de suavizar as dores da vida diária”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tenho que reconhecer


Tenho que reconhecer; foi na igreja que encontrei o maior número de pessoas que me decepcionaram. Porém, foi lá que me deparei com as pessoas mais humanas que já conheci.

Tenho que reconhecer; foi na igreja onde minha vida deu um salto de qualidade imensurável. Mas reconheço que essa mudança não se deu pelo fato da assiduidade no templo, mas pelo adorno do Espírito.

Tenho que reconhecer; existem muitos líderes eclesiásticos que envergonham o Evangelho de Cristo. Todavia, encontrei muitos mentores no segmento religioso que moldaram meu modus vivendi.

Tenho que reconhecer; a doutrina rígida de minha comunidade de fé muito me ajudou a firmar meus passos no início da caminhada. Entretanto, o fundamentalismo exacerbado de minha denominação, às vezes, asfixia.

Tenho que reconhecer; achar o ponto de equilíbrio da vida cristã não é algo fácil. Apesar disso, caminhar entre os aparentes paradoxos, sem sair da linha tênue, me faz experimentar esse ponto de equilíbrio.

Tenho que reconhecer; o número de pessoas que se decepcionam com Deus a partir do estudo da Teologia é considerável. Porém, é através dela que tenho me aproximado cada vez mais desse Ser transcendente.

Tenho que reconhecer; a Bíblia é o nosso verdadeiro manual de regra e prática. Todavia, não saberia viver sem os livros que falam a respeito dela.

Tenho que reconhecer; existe um corrupto que habita em mim tentando todos os dias me fazer regressar à lama. Mas dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor que nos purifica de todo pecado.

Tenho que reconhecer; escrevo por um impulso desenfreado de transformar meus pensamentos desajustados em palavras. Entretanto, um dia aprenderei a arte do vernáculo.

Enfim, tenho que reconhecer tantas coisas...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Record x Globo


Nos últimos dias, a mídia tem focado um tema que foge um pouco do cardápio da Pizzaria SF (Senado Federal). A bola da vez agora é a guerra pelo poder de manter os telespectadores reféns de uma programação cada vez mais pobre, culturalmente falando. As protagonistas são a todo-poderosa Globo, da família Marinho, e a abençoada Record, do bispo Edir Macedo.

A teologia da prosperidade, pregada por Edir Macedo e seus discípulos, tem mostrado força no campo televisivo. A antes adversária da Globo - o SBT, de Silvio Santos - nem faz mais cócegas. O perigo sempre crescente tem outro nome: Record. No último dia 11, o Jornal Nacional, sob o comando de Willian Bonner e Fátima Bernardes, exibiu 10 minutos de denúncias contra Edir Macedo, a Igreja Universal e a Rede Record (uma verdadeira trindade).

Não foram, ao meu ver, simples denúncias, foram golpes de vale-tudo. Tem-se questionado muito se tais ataques (com procedência ou não) foram motivados pelo senso moral ou se há uma manobra para tentar minorar o avanço da Record. Desde então, a Globo tem dado um "soco" e tomado dois. Ela ataca à noite e a outra revida pela manhã.

Não defendo nenhuma, nem outra. No domingo (16), a Record preparou um programa inteiro para mostrar o lado negro da Globo. O Repórter Record (uma cópia do Globo Repórter), sob o comando de Marcos Hummel, levou a concorrente a nocaute, mostrando documentos, citando nomes, datas e lugares. O mais impressionante em tudo isso é que a emissora do bispo não se preocupou em se defender, mas em atacar. Não conseguiram, com isso, limpar o seu quintal; apenas mostrar que o quintal do vizinho também está sujo.

Duas grandes emissoras. Duas gigantes no campo da comunicação. Investimentos milionários. Seria tudo isso um teste de fé? Fé em quê ou em quem? Fé na imparcialidade da Globo - algo que não existe - no seu papel de comunicadora? Ou seria a fé na Record, cujo dono se diz representante de Deus? Não é apenas a religião institucionalizada que gera cegueira mental, a mídia quando nas mãos de pessoas inescrupulosas também cega. De onde saem as baixas nessa guerra?

Do lado de cá; do nosso lado. Somos nós os que perdem com essa luta frenética por audiência a todo custo. A pobreza cultural propagada pela televisão (não só a brasileira, mas especialmente ela) mantém as pessoas numa redoma de desconhecimento do que verdadeiramente é cultura. Dizer nos dias atuais "que vença a melhor", é relativo e já não tem mais a mesma força.

Num País onde impera a corrupção em todos os segmentos (inclui-se aqui o religioso), não basta ser o melhor. Muitas vezes, nem é o melhor quem vence, mas quem tem o poder de manipular as massas. O cantor e compositor Zé Ramalho usou sabiamente as palavras para mostrar a condição do povo brasileiro. Notem como as palavras parecem fruto de uma inspiração sólida e atual.

"Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer
Êh, oô, vida de gado
Povo marcado
Êh,... [e ainda assim]* ... povo feliz!"
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A reclamação do profeta


Todos nós temos um senso interno de justiça. Se um pai joga sua própria filha da janela do 6º andar e continua a viver como se nada tivesse acontecido, outros pais certamente se revoltariam e desejariam dar cabo da vida desse pai insano. Podemos discordar quanto ao que é justo ou não, mas todos nos pautamos por algum tipo de código interior.

E, para ser franco, a maior parte do tempo, a vida parece injusta. Que criança "merece" ser jogada da janela do 6º andar pelo próprio pai e pela madrasta? Que criança “merece” crescer nas favelas de Calcutá, Rio de Janeiro ou Bronx? Por que pessoas como Adolf Hitler, Joseph Stalin e Saddam Hussein conseguem se safar depois de oprimir milhões de pessoas? Por que pessoas tão meigas e gentis morrem no vigor de sua juventude, enquanto outras, vivem até uma velhice insuportável?

Todos nós fazemos versões diferentes dessas perguntas. Já o profeta Habacuque as fez direto para Deus, e recebeu uma resposta sincera. Habacuque não mede suas palavras. Exige que o Senhor explique por que Ele não reage diante da injustiça, da violência e do mal que o profeta vê a sua volta. Deus responde com a mesma mensagem que Ele transmitiu a Jeremias, dizendo que enviará os babilônios para punir Judá. Acontece que tais palavras de nada servem para confortar o profeta, pois os babilônios são um povo selvagem e sem piedade. Não é injusto usar uma nação ainda pior para castigar Judá?

O livro de Habacuque não oferece uma solução para o problema do mal. No entanto, as conversas do profeta com seu Deus convencem-no de uma certeza: o Senhor não perdeu o controle. Como Deus de justiça, Ele não pode deixar o mal vencer. Primeiro trará os babilônios conforme as regras que eles próprios estabeleceram. Então, mais tarde, intervirá com grande força, abalando os fundamentos da terra até que nenhum sinal de injustiça permaneça. "Mas a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar", Ele promete a Habacuque. Um vislumbre dessa glória poderosa muda a atitude do profeta de indignação para alegria. No curso do seu debate com Deus, Habacuque aprende lições sobre fé, expressas de maneira maravilhosa que seu livro, que começa com uma reclamação, termina com um dos mais belos cânticos encontrado na Bíblia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Beber, cair e levantar


Blitz trabalhosa

Na estrada, um motorista estava andando a 150 km/h, até que foi parado por um guarda de trânsito. Muito constrangido, ele quis se justificar:

— Seu guarda, eu trabalho em um circo logo ali e estou atrasado para uma apresentação!
— Ah, é? O senhor é palhaço ou está achando que sou eu que sou?
— Não é nada disso, seu guarda... Eu sou malabarista — disse ele, apontando para uns bastões que estavam no banco traseiro.
— Ah é? — duvidou o policial — Então faz uma demonstração aí pra mim!
Mais do que depressa o sujeito pegou os bastões e começou a dar um show. Primeiro com três bastões, depois quatro, cinco, até sete de uma vez. Ele passava os bastões por baixo das pernas, jogava de costas, deitava no chão, enfim, dava um show particular para o policial, que já estava até pensando em cancelar a multa.
Enquanto isso, um outro policial parou o carro de um bêbado, que saiu do carro cambaleando, viu o malabarista com os bastões e disse:
— Meu Deus, eu preciso parar de beber! Esse tal teste do bafômetro está ficando cada vez mais complicado...


Tratamento de choque

O bêbado vai ao médico curar a ressaca e acaba tomando uma bronca:

— O senhor precisa parar de beber imediatamente!
— Parar de beber? — pergunta ele, incrédulo.
— Parar de beber pinga! — acrescenta o doutor — A partir de hoje você não toma mais uma gota de álcool! Só leite, durante dois anos!
— Mas doutor... Outra vez?
— Por quê? O senhor já fez este tratamento?
— Claro... Passei dois anos tomando leite, leite, leite... E não adiantou nada...
— Mas... Quando foi isso? — perguntou o médico, penalizado.
— Ah, faz tempo... Esses foram os dois primeiros anos da minha vida!


Desejo de bêbado

Dois bêbados estavam pescando numa lagoa, quando de repente vêem uma garrafa flutuando. Um deles a apanha, abre-a e aparece um gênio.
— Por ter me libertado, eu vos concedo um desejo!
E o bêbado:
— Quero que você transforme toda a água dessa lagoa em cerveja.
E num piscar de olhos, a lagoa inteira transformou-se em cerveja.
Nem bem o gênio havia virado as costas e o outro bêbado reclamou:
— Mas que merda de desejo, hein? Agora vamos ter que mijar dentro do bote!


No velório

Terminado o velório, os agentes da funerária começam a fechar o caixão. Desesperada, a viúva se atira sobre o corpo do marido e começa a soluçar:

— Ai, meu querido! Eles vão te levar para onde não há luz, não há comida, não há bebida, não há nada...
Ao que um bêbado encostado na soleira da porta resmunga:
— Não é que vão levar esse desgraçado lá pra casa!!


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Um grande amigo


Hoje acordei com uma vontade imensa de homenagear um grande amigo. Ou como ele mesmo diz: “meu irmão de alma”.

Nossas histórias são muito parecidas. 1 mês e 22 dias separam nossas datas de nascimento.
Falar do Bill é remontar um passado de 30 anos, e lembrar de nossa infância. Seu nome na verdade é Delair, mas ele não gosta muito que o chamem assim. Seu apelido surgiu de um grupo infantil dos anos 80 chamado Balão Mágico. Quem não se lembra do Juninho Bill? Tempos bons àqueles onde as crianças eram bem mais ingênuas do que as de hoje. Nossas brincadeiras eram saudáveis, não tinha internet nem celulares.

No tempo da adolescência éramos os rebeldes da vizinhança. Bailes funk’s com muita Treenere e Stevie Bee eram nossos programas favoritos. Isso sem falar dos pagodes. Éramos referência para os mais novos. Mas chegando a fase adulta, nossos estilos de vida nos afastaram um pouco. Mas nem por isso deixamos de ser bons amigos, pois a verdadeira amizade perdura para sempre.

Hoje os nossos caminhos são bem diferentes. Queria poder vê-lo ao meu lado, caminhando comigo na vida cristã.

Olho para o passado e vejo quanto minha vida mudou depois de conhecer Cristo e não tenho dúvidas de que se meus amigos seguissem o mesmo caminho, tudo seria diferente. Eu sei que os prazeres que cercam a juventude, como bebidas, mulheres, músicas sensuais e outras coisas mais, fazem com que os caminhos que levam à igreja sejam sufocados por todos estes prazeres. Eu vivi tudo isso. Conheço muito bem esse lado da vida. Tinha muitos “amigos”, mas tem uma hora que agente cansa dessa vida de superficialidade. As pessoas só são “amigas” quando você tem algo a oferecer. Foi por isso que Jesus disse que deveríamos negar a si mesmo e tomar nossa cruz. O evangelho é uma vida de renúncia.

Mas continuarei aguardando meu amigo. Quem sabe ele canse dessa vida também. Por que o desejo de Deus é que todo homem chegue ao arrependimento e se converta a uma vida plena com Jesus.

Mil felicidades para ti e sua família. Que os bons olhos de Deus possam estar direcionados para ti, colocando um desejo em seu coração de um dia você e sua família possam estar juntos conosco em comunhão na igreja.

Te amo amigo!!!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ensaio sobre o livre-arbítrio (2)


A resposta cristã à pergunta “porque o justo sofre?” está contida na doutrina da Queda. Segundo essa doutrina, o homem é agora um horror para Deus e para si mesmo, uma criatura mal ajustada ao universo, não porque Deus o tenha feito assim, mas porque ele se fez assim ao abusar de seu livre-arbítrio. Esta é a única função da doutrina para mim. Ela existe como proteção contra duas teorias sub-cristãs da origem do mal - o monismo, segundo o qual o próprio Deus, estando "acima do bem e do mal", produz imparcialmente os efeitos aos quais damos esses dois nomes, e o dualismo, que afirma que Deus produz o bem, enquanto outro Poder igual e independente produz o mal. O cristianismo afirma que Deus é bom em oposição a esses dois pontos de vista. Que Ele fez todas as coisas boas e por causa da excelência das mesmas; que uma das boas coisas que Ele fez, a saber, o livre-arbítrio das criaturas racionais, por sua própria natureza incluía a possibilidade do mal; e as criaturas, dispondo desta possibilidade, se tomaram más.

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Num jogo de xadrez é possível fazer certas concessões arbitrárias ao seu oponente, que se colocam em relação às regras gerais do jogo como os milagres para as leis da natureza. Você pode privar-se de uma torre, ou permitir que o adversário se arrependa de um movimento já feito, anulando-o. Mas se você aceitasse tudo que ele pudesse desejar a qualquer momento - se todos os movimentos dele fossem revogáveis e se todas as suas peças desaparecessem toda vez que a posição delas no tabuleiro o desagradasse – não haveria então na realidade um jogo entre vocês. O mesmo acontece com a vida das almas num mundo: as leis fixas, as conseqüências desenvolvendo-se através da necessidade causal, e toda a ordem natural, são tanto limites dentro dos quais sua vida comum fica confinada como também a condição única sob a qual essa vida pode existir. Tente excluir a possibilidade do sofrimento que a ordem da natureza e a existência do livre-arbítrio envolvem, e descobrirá que excluiu a própria vida.
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Clive Staples Lewis

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Descobri que sou herege


Não raro tenho que enfrentar afirmações que apontam-me como "louco", "doido" e "rebelde". Suportar olhares de "escândalo" e "surpresa". Escutar que estou "desviado" e que sou um "mundano". Creio que afinal sou um herege.

Heresia vem do
grego haíresis e significa escolha. É heresia a escolha contrária ou diferente de um credo ou sistema religioso que pressuponha um sistema doutrinal organizado, ortodoxo. A palavra pode referir-se também a qualquer "deturpação" de sistemas filosóficos instituídos, ideologias políticas, paradigmas científicos, movimentos artísticos, ou outros.

Hairesis, que literalmente significa "escolha", é usada no Novo Testamento para designar uma seita ou facção. Por exemplo, os saduceus eram uma seita dentro do Judaísmo (Atos 5:17), assim como eram os fariseus (15:5). Quando inicialmente muitos judeus creram que Jesus de Nazaré era o Messias, eram conhecidos como "a seita dos Nazarenos" (24:5). Em cada um desses versos, a palavra hairesis não é usada para insultar - ela significa meramente uma seita, um pequeno grupo dissidente que se separou do Judaísmo. Depois que a igreja cresceu e se desenvolveu, qualquer grupo faccioso dentro de uma igreja local foi chamado de heresia - isto é, era uma seita que detinha certas opiniões contrárias às verdades estabelecidas pelos apóstolos.
Em vista disso, Paulo disse à igreja em Corinto que seitas deveriam se desenvolver entre eles como uma forma de separar o falso do verdadeiro (I Corintios 11:19).Eventualmente, a palavra "heresia" veio a significar o ensino particular que causava a separação de alguns do Cristianismo ortodoxo. Assim, Pedro exortava os cristãos sobre vários falsos mestres que tentariam demover os fiéis com seus ensinos heréticos (II Pedro 2:1). Na era moderna, esta é a forma como a palavra "heresia" é normalmente entendida; é incomum e/ou falso ensinamento aquele que prejudica a fé de certos fiéis e também causa facções distintas dentro da igreja.Algumas heresias famosas incluem o Gnosticismo, a perda de um corpo de idéias que normalmente incluem o ensino de que um ser maligno criou o mundo físico; Docetismo, que ensinava que Cristo não era humano de verdade; e muitas outras, frequentemente tendo a ver com a identidade de Cristo ou com a Trindade (dois tópicos muito polêmicos na história da igreja).

Enfim, quando um ou alguns faziam uma "escolha" que ameaçasse as estruturas bem arraigadas do Cristianismo institucionalizado, eram tidos como hereges. Fico pensando como Jesus reagiria a uma heresia? Com certeza, não o vejo queimando ninguém por fazer uma escolha diferente das boas novas que ele apresentava. Inclusive, não percebo nos relatos dos Evangelhos, nenhum traço em Jesus que o mostre preocupado com "hereges" ameaçando a sua mensagem. Aliás, Jesus não impõe as suas boas notícias. Antes, faz questão de fazer com que cada um que desejasse segui-lo ponderasse bastante a respeito de tal decisão. Jesus não invadia o direito de escolha das pessoas. Não sei de onde a igreja medieval entendeu que pessoas deviam ser queimadas em praça pública por escolherem não acreditar nas indulgências ou nos papas. Não vejo Jesus convertendo pessoas ao seu Evangelho à espada. Antes, com uma mensagem dura, impactante, radical e difícil de seguir. Mensagem tal que instigava a uma escolha dos ouvintes.

Algo na história da igreja me surpreende. Não fosse um herege Galileu talvez este texto não tratasse de cristianismo. Não fosse um herege chamado Galileu Galilei, a igreja estaria até hoje dogmatizando que a Terra é o centro do Universo. Não fosse um herege chamado Martinho Lutero estaríamos presos à ortodoxia católica apostólica romana. Pressuponho que ser um herege não é de todo ruim.

É claro que, há hereges e hereges! No entanto, a heresia depende do ponto de vista. Para os judeus os cristãos são hereges. Para os católicos os protestantes são hereges. Para os protestantes os adeptos da New Age são hereges. Revertemos a ordem destes e encontraremos uns hereges dos outros. Se não acreditar nas "teologias" prontas e autosuficientes é ser herege, então o sou. Se não acreditar na Teologia da prosperidade é ser herege, então o sou. Se não acreditar no Triunfalismo evangélico é ser herege, então o sou. Se não acreditar na Teologia da libertação, maldição hereditária e etc é ser herege, então o sou. Se não acreditar em "Cobertura espiritual" sob pena de maldição é ser herege, então o sou. Se questionar "Apóstolos", "Bispos", "Reverendos", "Arcebispos", "Papas" que abusam da posição clerical é ser herege, então o sou. Se não acreditar em "Templos", "Santuários" sagrados é ser herege, então o sou. Se não acreditar na casta leigo/clero e defender o sacerdócio de todos os crentes é ser herege, então o sou. Se não acreditar no sistema religioso predominante é ser herege, então o sou. Se mesmo assim, não me contendo dentro de qualquer sítio religioso, depender da graça, dia-a-dia tomar a minha cruz, negar a mim mesmo, enterrar meu velho homem, lutar contra o pecado na minha vida, amar meu próximo como a mim mesmo, ser amigo dos homossexuais, dos beberrões, dos mentirosos, dos pobres, dos ricos, das prostitutas, dos portadores de HIV e de todos os outros pequeninos, se o autor e consumador da minha fé é Jesus Cristo, Filho de Deus, meu único Salvador, é ser herege, então, pelo amor de Deus, eu sou um grande herege.

Acho que o fator comum entre todos os grandes "hereges" é o fato de que todos eles pensam.
Pensar não é difícil. Pode ser perigoso, mas não é complicado; pode ser trabalhoso, mas não é proibido.

É preferível correr o risco de se expor à ameaças de um herege peçonhento como eu do que ser encabrestado por um professor obtuso e preconceituoso. É muito mais digno ter opinião própria do que repetir preconceitos alheios.

A religião tenta preservar-se criando "Guantánamos" onde joga aqueles que ela considera terroristas. Lá mofam os "Galileus" que ousaram afirmar suas constatações científicas; lá apodrecem os "Huss" que não se conformaram com as viseiras farisaicas que lhes foram dadas; lá morrem os "Martin Luther Kings" que não se curvaram ao status quo.

A religião de certezas não tolera que a espiritualidade conviva com incertezas. O fariseu precisa criar sistemas lógicos para que suas opiniões perdurem inabaláveis. Ele apedreja todos os que se expuserem a outras verdades. E quem tiver a petulância de pedir explicações será exilado.

A postura da elite eclesiástica é: rotule-se como apóstata todo o que olhar por cima das nossas cercas para ver se há alguma vida fora do nosso estreito corredor dogmático.
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Por Thiago Mendanha

terça-feira, 28 de julho de 2009

A monotonia das heresias


A Igreja ortodoxa nunca tomou a rota fácil ou aceitou as convenções; a Igreja ortodoxa nunca foi respeitável. Teria sido mais fácil ter aceitado o poder terreno dos arianos. Teria sido mais fácil, durante o calvinista século XVII, cair no abismo infinito da predestinação. É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro e exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha histórica do cristianismo — isso teria sido de fato simples. É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria de fato sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los a todos tem sido uma estonteante aventura; e na minha visão a carruagem celestial voa esfuziante atravessando as épocas. Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé.

G. K. Chesterton

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ensaio sobre o tempo

Um dos maiores problemas da “teologia” e, especialmente de suas sistematizações, vem da antiga noção de tempo. Os teólogos, em geral, pensam em Deus com as categorias de tempo e espaço, e pensam na Graça como uma “evolução histórica”, como se Deus tivesse crescido com os homens. Hoje em dia, é um desperdício sem precedentes continuar a “fazer teologia” sem se entender a questão do tempo, até mesmo do ponto de vista da “física quântica”. Boa parte dos nosso conflitos doutrinários e teológicos — coisas como predestinação e livre-arbítrio — soam pequenas depois que você entende o que é o tempo, sua total relatividade e até mesmo sua inexistente-existência. O tempo serve à relatividade, daí ele servir à História. Mas serve pouco à Teologia, que nunca é o que pretende ser, caso não exista entre o temporal e o a-temporal. A redenção, portanto, aparece na História apenas porque ela pré-existe à própria História. O Cordeiro, afinal, foi imolado no Antes de qualquer História e de qualquer Tempo!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ser Pai e ser pai

Ser Pai é ser criador; gerador em potencial de suas criaturas e autor da vida.

Ser pai é acordar todos os dias e saber que existe uma princesa linda ao lado de sua cama que ainda nada entende sobre a vida, e mesmo assim, dialogar com essa pequena indefesa.

Ser Pai não é ter plano B para queda de suas criaturas, mas sim, arquitetar desde a fundação do mundo a redenção de seus filhos. Por isso, a redenção precede a criação.

Ser pai é aplicar suas forças de todo coração, entendimento e alma para ver um sorriso de canto de boca saindo do rostinho dessa princesinha de apenas 1 mês de vida.

Ser Pai é dominar sobre tudo; apesar do aparente paradoxo de saber que o mundo está um caos, o controle é sempre soberano.

Ser pai também é trocar a fralda, ajudar no banho, ouvir o choro e enchê-la de beijos – mesmo o pediatra proibindo o contato com as bochechinhas.

Ser Pai é doação – doar em plena ação.

Ser pai é chegar exausto do trabalho e ver os olhos reluzentes da fogosa Camilly querendo brincar com o pai babão.

Ser Pai é amar incondicionalmente, ou seja, não existe condição alguma para atrair o amor de Deus para mim; Ele me ama mesmo com as minhas corrupções e desleixos com Seu Reino.

Ser pai é levar ao médico, dar as devidas vacinas, aplicar os respectivos remédios e acima de tudo ser atuante em seu desenvolvimento e crescimento.

Ser Pai é se entregar – ver suas criaturas se curvando a outras divindades, e mesmo assim, se esvaziar na cruz em prol dessa humanidade prostituta.

Ser pai é ser chefe de família, esposo, administrador, filho e amigo.

Ser Pai é fazer o Verbo se tornar carne e habitar no meio de nós.

Ser pai é olhar para trás e ver que os planos e projetos do Pai nunca se frustrarão na vida de um pai.

Há muitas outras qualidades e diferenças de ser Pai e ser pai. Mas uma certeza é possível constatar: Ambos amam independentemente de nossos deméritos.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Viva Camilly!!!


Neste último dia 12 eu e minha esposa recebemos um grande presente de Deus.

Camilly, nossa filha, nasceu. Saudável, com 46 cm, quase 3k e linda como a mãe.
Estamos radiante com a mais nova princesinha em nosso lar.
Por conta dessa grande dádiva e por estarmos de férias no trabalho, o Reflexões do Reino também entrará em recesso. Com isso, sobrará mais tempo para o pai aqui babar mais um pouquinho.
Meus agradecimentos aos nossos assíduos leitores que mesmo com minha ausência, têm interagido conosco.

Graça e Paz,

E viva Camilly!!!!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Jesus, o retrato de Deus


Por que Jesus empresta um caráter único ao cristianismo, em meio a todas as outras religiões? O que o distingue dos grandes líderes religiosos da história mundial?
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João dá a resposta no primeiro capítulo de seu evangelho. Ele chama Jesus de “a Palavra” e declara que ele tanto estava com Deus como era Deus. Em seguida explica que Jesus, a Palavra, “tornou-se carne e viveu entre nós (...) cheio de graça e de verdade”. Andando pela terra com o corpo de carne e osso de homem, Jesus incorporava a plenitude de Deus. Com sua palavras e ações, em forma humana, ele revelou Deus como Deus nunca se revelara até então. Não só Jesus exibia a verdade encontrada só em Deus como demonstrava a graça que define esse Deus e o distingue de toda outra suposta divindade em qualquer tempo ou lugar.
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Philip Yancey conta em seu livro, Maravilhosa Graça, uma história sobre o autor e intelectual C. S. Lewis:
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"Durante uma conferência britânica a respeito de religiões comparadas, técnicos de todo o mundo debatiam qual a fé cristã, se é que existia essa crença. Eles começaram eliminando as possibilidades. Encarnação? Outras religiões tinham diferentes versões de deuses aparecendo em forma humana. Ressurreição? Novamente, outras religiões tinham histórias de retorno dos mortos. O debate prosseguiu durante algum tempo até que C. S. Lewis entrou no recinto. “A respeito do que é a confusão?”, ele perguntou, e ouviu a resposta dos seus colegas de que estava discutindo sobre a contribuição única do cristianismo entre as religiões do mundo. Lewis respondeu: “Oh, isso é fácil. É a graça”.
Depois de alguma discussão, os conferencistas tiveram de concordar. A noção do amor de Deus vindo a nós livre de retribuição, sem cordas amarradas, parece ir contra cada instinto da humanidade. O caminho de oito passos do budismo, a doutrina hindu do Karma, a aliança judaica, o código da lei muçulmana – cada um deles oferece um caminho para alcançar a aprovação. Apenas o cristianismo se atreve a dizer que o amor de Deus é incondicional".
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Antes que Jesus viesse, Deus demonstrou graça repetidas vezes ao povo israelita, perdoando-o por desobedecer e lhe voltar as costas. Até para os gentios ele estendeu sua graça – pessoas como Raabe, Rute e os persas do tempo de Éster que se converteram ao Deus verdadeiro. O padrão para salvação, contudo, não mudou. O apego à lei ainda era necessário para que as pessoas fossem consideradas aptas para eternidade na presença de um Deus santo.
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No começo do Antigo Testamento, porém, Deus já planejava criar um caminho para o povo alcançá-lo que não fosse por intermédio da lei. Naquele período, ninguém guardou a lei com perfeição exigida pelo Senhor, de forma que, no fim, só a fé as qualificava para o céu. A salvação era possível graças ao sacrifício de Cristo ainda por acontecer. Jesus foi o jeito que Deus encontrou para salvar a dívida pelo pecado de uma vez por todas. Sua morte na cruz é o melhor retrato da graça de Deus e de seu amor por nós.
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O Senhor tem todos os motivos do mundo para se afastar por causa de nossos fracassos em amá-lo como deveríamos. Em vez disso, por intermédio de Jesus, ele caminha em nossa direção. Jesus é o retrato de que dispomos de um Deus santo e amoroso, que aproxima de si os que nele crêem.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Humor de Sexta

Oferta imperdível

Faltando dois dias pro casamento, o noivo muito católico vai procurar o padre:
— Padre, eu vim aqui propor um negócio. Eu te trouxe mil reais, mas em troca eu quero que o senhor corte algumas coisinhas daquele discurso de casamento: "Amar, honrar, ser fiel etc". É só não falar essa parte e pronto!
O padre aceita o dinheiro, não fala nada e o noivo fica todo satisfeito. Chega o dia do casamento. O padre olha bem para o noivo e diz:
— Promete viver apenas para ela, obedecer a cada uma de suas ordens, levar café na cama todos os dias e jurar perante Deus que nunca terá olhos para nenhuma outra mulher?
O noivo, completamente sem graça e sem saída, acaba concordando. Mais tarde, durante a festa, chama o padre num canto:
— Poxa, eu pensei que a gente tinha feito um acordo!
O padre lhe devolve os mil reais:
— Sinto muito, meu filho. Mas ela triplicou a sua oferta!


Promoção especial

Um padre recebeu um chamado urgente para uma extrema-unção e como não podia deixar o confessionário vazio, pediu ao rabino vizinho, seu amigo, que ficasse em seu lugar.
— Você também é um sacerdote do mesmo Deus e acredito que não haverá problema. Ouça umas confissões comigo e você vê como é que faz.
O rabino sentou ao seu lado e observou cuidadosamente enquanto o padre tomava as confissões.
— Padre, eu cometi adultério.
— Quantas vezes?
— Três vezes.
— Reze duas ave-marias, coloque cinco reais na caixa de coleta e não peque mais.
Mais tarde, outra mulher entra no confessionário e confessa ter cometido adultério.
— Quantas vezes?
— pergunta o padre.
— Três vezes.
-- Reze duas ave-marias, coloque cinco reais na caixa de coleta e não peque mais.
Mais algumas confissões e o rabino declara-se capaz de conduzir as confissões na ausência do padre. Alguns momentos mais tarde, entra uma senhora no confessionário.
— Padre, eu cometi adultério — confessa ela ao rabino.
— Quantas vezes?
— Ora, uma vez!
— Então vá lá e faça mais duas vezes, que estamos com uma promoção especial essa semana de três por cinco reais.


Diretor no Confessionário

O sujeito entra em uma igreja em um bairro nobre do Rio de Janeiro e vai direto para o confessionário:
– Padre, quero me confessar!
– Sim, meu filho... Quais são os seus pecados?
– Fui infiel à minha esposa, padre... Sou diretor da Rede Globo e semana retrasada dormi com a Danielle Winits...
– Semana passada, cometi outro deslize: dormi com a Juliana Paes... Como se não bastasse, nessa semana ainda dormi com a Deborah Secco, padre...
– Lamento, filho... Mas não posso dar-lhe a absolvição...
– Como assim, padre? A misericórdia de Deus não é infinita?
– Sim, filho... É infinita... O problema é que Ele não vai acreditar que você esteja arrependido!


Visitando Jerusalém

Após vários anos de casado e depois de muito relutar, o marido concorda em levar a sogra e a esposa para conhecer Jerusalém.Assim que desceram do avião, a velha teve um ataque cardíaco e morreu repentinamente.Passado o susto inicial, o sujeito foi verificar os procedimentos necessários para mandar o corpo de volta ao Brasil.
— Você vai gastar aproximadamente dez mil dólares — informou-lhe uma atendente.
— Dez mil?
Com medo de que o marido também tivesse um enfarte, a esposa tentou aliviar:
— Querido, se você quiser enterrá-la aqui mesmo, eu não me importo.
— Enterrá-la aqui em Jerusalém? De jeito nenhum!
— Por que não?
— Há dois mil anos atrás teve um sujeito que foi enterrado aqui ressuscitou depois de três dias, você acha que eu vou correr esse risco?

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus!


Quando leio os evangelhos, costumo sentir alívio ao pensar que Deus resolveu colocar-me na Terra agora e não na época de Jesus. Parte de mim inveja aqueles que puderam vê-lo, ouvi-lo e tocá-lo ao vivo. Esta parte de mim sonha que a vida seria muito mais fácil se Ele estivesse aqui na minha frente em carne, disponível para responder minhas perguntas face a face. Porém uma porção maior de mim suspeita que isso não seria verdade. Eu acharia mais fácil tomar decisões depois de ouvir o ponto de vista de Jesus sobre determinado assunto? Minha vida se tornaria mais fácil depois de vê-lo e tocar-Lhe a presença física?

Conheço minha natureza desconfiada. Se eu vivesse naquela época, é provável que, prontamente, me enquadrasse entre as multidões que O seguiam, atônito com seu poder de operar milagres e emocionado com seu amor, mas ainda assim, cético quanto a sua afirmação despretensiosa de ser Deus. Espero que, se me fosse dada a chance, eu soubesse discernir a verdade de quem Jesus era. Mas não foi o que aconteceu com muita gente, por que comigo seria diferente? Eu seria melhor que os fariseus? Também sei me considerar virtuoso, convicto de conhecer a mente de Deus, assim como a oração daquele publicano hipócrita. Ao ler as várias passagens que Jesus repreende os fariseus, eu, às vezes, estremeço, sentindo sua repreensão me atingindo perto demais.

Também consigo me identificar com os discípulos mais próximos de Jesus. Mesmo tendo visto meu mestre transfigurado sobre o monte e ouvido Deus recomendá-lo em voz audível, com certeza eu seria tomado de pavor, como aconteceu com Pedro, e diria alguma bobagem. Ou, apesar da inclinação literária, também ficaria confuso em minha ignorância diante do uso óbvio que Jesus fazia das metáforas. Jesus certa vez disse “estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus”, ora, em minha interpretação literal, diria que “Jesus só está querendo dizer para nos lembrarmos de trazer mais pão da próxima vez”. (Risos)

Sim, receio que, se trazido à Terra naquela época, eu deixaria Jesus tão irritado quanto a maioria dos que O conheciam. Hoje tenho a Bíblia aberta na minha frente. Posso estudar sua vida do começo ao fim e ler as profecias sobre sua vinda, bem como o ensino dos apóstolos posteriores a sua partida. Tenho acesso a inúmeros livros e mestres capazes de mostrar para mim as verdades que Jesus veio revelar. E mais, conto com seu Espírito vivendo em meu interior – Jesus em mim revelando a si mesmo. Não posso reclamar. Tenho tudo que preciso para conhecê-lo do jeito que Ele de fato é e amá-lo com minha vida.

Apesar de tanta informação e tantas oportunidades, ainda estou tentando compreender Jesus. Há apenas 5 anos caminho com Ele; mesmo assim, percebi que mal arranhei a superfície do conhecimento desse Salvador que chamo de meu. Sei que não poderia viver sem Ele. Sei que Ele me transformou e a tudo que faz parte da minha vida. Jesus disse “minhas ovelhas me conhecem”, mas sei que preciso continuar aprendendo para conhecê-lo melhor.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A humildade


Sobre a humildade, concordo com André Comte-Sponville: “Não é a ignorância do que somos, mas, ao contrário, conhecimento, ou reconhecimento de tudo o que não somos”. É a admissão de que cheguei onde estou sem gabar-me: “sou o que sou pela graça”.

Quando penso em humildade, acompanho Dwight Moody: “O homem pode demonstrar um falso amor, uma falsa fé, uma falsa esperança e outras graças, mas jamais poderá simular humildade”. Também concordo com Stanley Jones: “A essência do divino é a humildade. O primeiro passo para encontrar a Deus é destruir nosso orgulho”.

A humildade não sobrevive sem que se aniquilem as falsas onipotências. O petulante não admite fragilidades, não reconhece limites, não aceita inadequações. O soberbo se embrutece porque é insaciável. Apropria-se da pergunta do poeta: “Por que não é infinito o poder humano, como o desejo?” Dionisíaco, atropela quem estiver na frente. Odeia ser frustrado.
Spinoza dizia que “a humildade é uma tristeza nascida do fato de o homem considerar sua impotência ou sua fraqueza”. Nietzsche bateu o martelo: “Conheço-me demais para me glorificar do que quer que seja”. E Comte-Sponville conclui: “O que é mais ridículo do que bancar o super-homem?... A humildade é o ateísmo na primeira pessoa: o homem humilde é ateu de si, como o não-crente o é de Deus”.

A humildade e a gratidão necessitam uma da outra. O humilde sabe que não se fez; não é o self-made man, que se recusa a reconhecer os que lhe ajudaram nos primeiros degraus. Sente-se devedor dos pais que se sacrificaram para que estudasse, dos professores que lhe incutiram valores, dos amigos que nunca censuraram na vergonha, dos poetas que traduziram beleza, dos profetas que lhe falaram em nome de Deus. Nos solilóquios, repete: “Não sou a causa de mim mesmo; vejo nos outros a raiz da minha alegria; celebro o meu presente como um dom".

A humildade é esvaziamento. O prepotente não consegue amar. Só quem abre mão dos controles sabe deixar-se invadir pela compaixão.
Simone Weil afirmou que “o amor consente tudo e só comanda os que consentem em ser comandados”. Amor é renúncia. Não existe a possibilidade de coerção e amor se misturarem. O pretensioso é inflexível, impaciente e estúpido. O humilde recua, na recusa de exercer força, poder, violência.

A humildade é demasiadamente discreta. Se pretendo, um dia, ser humilde ninguém pode perceber. Mas, espero aprender a não cobiçar a divindade.
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Por Ricardo Gondim

Arte subversiva

Rob Bell irá contar para você seu estilo não ortodoxo. Ele implantou uma igreja pregando sobre Levíticos. Seus ensinamentos são uma mistura de imagens, histórias pessoais e exegeses, além de algumas perspectivas que você provavelmente nunca ouviu na igreja. A mensagem, entretanto, é ortodoxa, bíblica e bem informada pela história. O pacote inteiro, Bell diz, é subversivo. Como Jesus.

Seja lá o que for, funciona. Atinge multidões totalizando 10 mil pessoas, a maioria nos finais de semana em Mars Hill Bible Church, em Grandville, Michigan, nos EUA, a igreja que Bell fundou há cinco anos atrás. Atinge estudantes na sua alma mater, a Universidade de Wheaton, e líderes da Igreja Emergente em conferências nacionais, onde Bell é apto a ensinar usando uma grande cadeira, um xale judeu, ou uma cabra viva. “Animais, o que seja. O que seja, leve.”, ele diz. “Sem regras”. Nos últimos dias ele tem falado muito sobre rabinos.

Ed Dobson fala sobre Bell: “Rob é dirigido pela paixão de ensinar a Bíblia, marcado por entender o livro sagrado no seu contexto, aplicando a Palavra onde as pessoas vivem.” Foi com Dobson, na Calvary Church, em Grand Rapid, que Bell serviu como pastor associado por três anos antes da igreja dar apoio ao lançamento da congregação pós-moderna de Bell. Hoje, Bell também lidera o Nooma (pense pneuma), um ministério que produz pequenos vídeos dramáticos das palavras de Bell, com o estilo da MTV, entre ruas de cidades, aeroportos e florestas (www.nooma.com).

Nossa conversa com ele vai de tópico a tópico (“Meus amigos me dizem que sou um caso clássico de Déficit de Atenção. Isso, lógico, já era óbvio”, ele diz). Mas em meio a pensamentos aparentemente fortuitos e perseguições de rabinos, Bell faz uma observação. Ele é intencional na exploração da pregação para alertar sua geração do real, histórico, presente e revolucionário Cristo.

Cristianismo hoje: Como você se interessou pelos ensinamentos rabínicos?

Rob Bell: Eu tenho um casal de amigos judeus que se tornaram cristãos. Eles sempre prosseguiam dizendo sobre coisas na Bíblia:
-“Você sabe sobre o que isso é?”
-“Não”
-“Seder”
-“O que?”
-“Quatro promessas em Êxodo 6, de 4 taças. Quando Jesus diz : “Essa é a minha taça”, existem quatro delas. Ele está escolhendo a quarta. Você sabe por quê?”
-“Não”. Eu não conhecia o contexto das escrituras.
Jesus é judeu. Eu pensei que ele era um cristão. Então eu comecei a ler. Jesus ensinou sobre ele mesmo com Moisés - a Torah - e os profetas. Isso me deixou louco. Eu pensei, “deve haver um mundo inteiro de coisas que eu estou perdendo”. E havia. Havia milhares e milhares de páginas de escritos antigos que cristãos estão esquecendo.
Batismo, o mikvah, toda a parte de Levíticos, todas essas coisas.
Tudo o que Jesus disse - o Bom Samaritano é comentário em Levíticos 15 - essas coisas são discussões sobre a Torah. Ele não está aparentemente retirando as coisas do céu.
Quando Jesus se torna um tipo de figura esotérica espiritual e não um cara real em um lugar real num tempo real, as coisas realmente políticas e econômicas subversivas que ele diz se perdem em um esforço de proclamar o Filho de Deus, como nós fazemos. Mas ele é também um rabino judeu que viveu de um jeito judeu num tempo judeu, e nós temos muitas informações sobre como esse mundo foi.
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Cristianismo hoje: Como os ensinamentos rabínicos se conectam com os jovens cristãos de hoje?

Rob Bell: Eu estava numa universidade cristã ensinando no sistema rabínico, falando sobre o sistema educacional no primeiro século. Numa época mais próxima, as crianças memorizariam a Torah, mas poucas fazem isso para o outro nível. A criança pode fazer o que eu faço?
E Jesus continua dizendo aos seus discípulos, você pode fazer isso. “Vocês não me escolheram, eu escolhi vocês.” Isso é uma linguagem rabínica. Grande parte da frustração de Jesus com os discípulos foi quando eles pensaram que não poderiam ser como Ele. Jesus tinha fé nos seus discípulos. Ele diz para eles, “Agora vão e façam mais discípulos. Eu estou fora daqui”. É como o rabino trabalha. O rabino só escolhe os discípulos em quem acredita.

Cristianismo hoje: O que você lê para ter esse conhecimento?

Rob Bell: Agora estou lendo um trabalho sobre César. Eu poderia estudar passagem por passagem onde os escritores da palavra de Deus usam a imagem de César. César chegou ao poder num processo de coroação de oito etapas. Marcos organizou a semana da paixão em oito etapas. Como César, Jesus foi coroado. Soldados se juntaram em torno dele como fariam com César. Eles colocaram uma coroa em sua cabeça. Eles se prostraram perante Jesus. O público romano e judeu de Marcos sabia exatamente como era a coroação de um rei. Marcos está dizendo que Jesus é rei. Isso não é impressionante?
Aqueles garotos eram tão brilhantes. Você começa a pensar que eles tiveram ajuda (risadas).

Cristianismo hoje: Seu ministério é muito contemporâneo, mas você realmente valoriza a história.

Rob Bell: Apesar da tradição de se premiar quem está baseado na Bíblia, a comunidade cristã sabe muito pouco sobre o que acontece historicamente na Bíblia. E existem coisas tão grandes e incríveis. Mas alguns temem usar alguma coisa para explicar a Bíblia que não seja a Bíblia. Eu tenho dito, “Nós não podemos usar a história. História é falível”.
Um pregador recentemente disse para mim que você não pode usar a história, porque quanto mais você lê a história, mais afeta o modo como você interpreta a Bíblia. Sim, eu espero.
N.T. Wright diz nesse modo: “A maioria das pessoas querem acordar de manhã com um general no pé da cama dizendo ‘vá e faça isso’. O problema é que há alguém no pé da cama dizendo ‘Era uma vez’...”.
A ‘verdade eterna’ da escritura emerge de um povo real em lugares reais e um Deus que tem toda autoridade trabalhando em tempo real. Então quanto mais eu sei sobre os lugares e tempos, mas eu entendo da autoridade de Deus.

Cristianismo hoje: Por exemplo...

Rob Bell: Artemis: a deusa da fertilidade. Seu centro de adoração mundial era a cidade de Éfeso. Acreditava-se que se você estivesse grávida e trouxesse uma oferenda ao templo, ela protegeria você no nascimento da criança. Agora no meio do século primeiro, de duas mulheres, uma morria na hora do parto. Isso é um terror real. Então o que Paulo diz a Timóteo? “A propósito, as mulheres serão salvas na hora do parto”. Mas, e sobre Artemis?
Paulo, de um brilhante e subversivo modo, diz que Artemis não salva as mulheres na hora do parto. Deus salva.
Agora como na Terra você entende esse verso sem conhecer um pouco da história?

Cristianismo hoje: Como você ensina as pessoas a aplicar a história em situações atuais?

Rob Bell: No último inverno eu fiz uma série inteira de Efésios. Existem lugares onde Paulo faz referência a Artemis. Seu templo foi uma das Sete Maravilhas do Mundo. Milhões de pessoas vêm visitar seu templo e comprar estátuas, acreditando que Artemis é a fonte de riqueza econômica. E como Paulo começa Efésios? “Deus seja adorado por todas as bênçãos espirituais”.
“Espere, espere, espere. Não, Artemis. Nós adoramos Artemis por tudo.”
Em Efésios, a palavra de Paulo seria um ensinamento subversivo. Não surpreende ter causado um motim.
Mas Paulo não desmoraliza Artemis. Quando você conta bem a história, você não tem que desmoralizar. É claro. Na verdade, em Atos 19, o escrevente da cidade diz à quadrilha de rebeldes que “Paulo nunca blasfemou contra a deusa”. Umas das coisas que distinguem a revolução de Jesus é que ele nunca blasfemava contra os deuses das cidades, e toda a cidade ainda se tornava cristã.
Isso tem implicações inacreditáveis para o que os cristãos estão fazendo agora – pregadores ridicularizando Hollywood.
Quando você conta a história bem, você não precisa disso. É claro. Não que não haja um lugar e um tempo nos quais você deva chamar as coisas como elas são.

Cristianismo hoje: Você sempre levanta e diz: “Portanto diz o Senhor”?

Rob Bell: Eu penso que nós temos que recuperar a voz pregadora da poesia profética. Nós temos que recuperar aquele momento quando a pessoa falava, e é a palavra de Deus, e todo mundo sabe. É uma coisa linda. Eu quero recuperar isso como uma forma de arte revolucionária que realmente tem poder para transformar comunidades e culturas.

Cristianismo hoje: Como você recuperaria a pregação?

Rob Bell: Eu quero resgatar a pregação. Acredito que é uma forma de arte e eu quero resgatar isso dos cientistas e analistas. Eu quero ver os poetas, os profetas e os artistas segurando o microfone e dizendo coisas boas sobre Deus e a revolução. Eu penso que toda uma forma de arte tem sido perdida e precisa ser recapturada, uma grande ambição para a arte de pregar.
Existe um mistério para um homem e uma mulher em um quarto, quando o texto fez alguma coisa neles e então está retirando alguma coisa deles, seja lá o que for. É uma parábola, é silêncio, é uma série de imagens diferentes que não parecem ter nenhuma conexão, e de alguma maneira têm.

Cristianismo hoje: Os engenheiros tem dominado um pouco a pregação. O que os artistas poderiam fazer de diferente?

Rob Bell: Muitos pregadores cristãos não são sérios sobre a história. Eu não quero conquistar mistério. Eu não quero celebrar isso. E na era moderna nós temos “Sete passos para oração”, “Quatro passos para finanças, etc.”. Tudo isso, eu assumo, tem o seu lugar.
Mas o que freqüentemente acontece é que Deus é encolhido no processo. E no esforço de simplificar as coisas, Deus é simplificado. E devem existir espaços onde o mistério é simplesmente celebrado.
A verdadeira fé ortodoxa é profundamente misteriosa, e toda questão respondida leva a um novo jogo de perguntas. Muitos pregadores tentam responder tudo. E no fim do sermão, pessoas se retiram sem mais questões.
Os rabinos acreditam que a Palavra é como uma pedra preciosa: quanto mais você a gira, mais sua luz refrata. Eu ouvi um cara dizer uma vez, “Oh sim, eu tive um sermão sobre aquele verso. Um sermão que foi muito pregado.” O que? Você está louco? Você teve um sermão muito pregado? Só agora, já posso transformá-lo de tantas maneiras diferentes.
Fiz uma série de seis meses sobre João 3:16. Fiz um sermão sobre a palavra que. Você precisa fazer perguntas. Algumas tradições cristãs pensam que um texto tem um significado e se você aplicar o método certo, pode afastar o significado correto. Isso é o cúmulo da arrogância. Se esse é um mundo vivente, então gire a pedra.
"E Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho”
Por que Deus deu o seu Filho?
“Por que Ele amou o mundo”
Ok, por que Deus ama o mundo? Ele ama todo mundo? Todo mundo mesmo?
“Porque Deus é amor”
Essas respostas – nas quais acredito que você pode descansar - podem te fazer mergulhar ainda mais fundo.

Cristianismo hoje: Não é o problema com pregadores respondidos-centrados que, uma vez que o sermão providenciou todas as respostas, a pessoa diga “Eu ainda tenho questões pendentes; entretanto a resposta é insuficiente?”

Rob Bell: Sim, exatamente. Bem dito.

Cristianismo hoje: E então, como você tenta evitar isso?

Rob Bell: Kierkegaard fala sobre fé no medo e no tremor como absolutamente necessários para se ter uma fé real. É fácil dizer, “Somente acredite. Você consegue todos os fatos”. Mas não funciona dessa maneira.
Duas semanas atrás eu patrocinei uma “Noite da Dúvida”. Eu disse, “Quero falar sobre todas as minhas dúvidas sobre Deus, Jesus, a Bíblia, salvação, fé. E se você tem alguma, traga-a. Escreva-a e passe para frente, nós a leremos e veremos o que acontece.” Nós tínhamos uma grande caixa - você não acreditaria - e começamos a ir através das dúvidas, ler e discutir. Foi impressionante.

Cristianismo hoje: Muitos pastores votariam contra esse artifício.

Rob Bell: Eu estou tentando (risadas), mas, muitos pastores, se tiverem uma noite da dúvida, estariam falando para onde as pessoas vivem na realidade. Realmente penso que pessoas que são cristãs há muito tempo freqüentemente têm as maiores dúvidas, porque elas têm vivido isso, ainda têm muitas coisas não resolvidas. E está tudo bem. Isso é central para o que significa ser uma pessoa de fé. Uma questão implica que existem coisas que eu não sei. Então, trazer questões e dúvidas é uma forma de respeito a Deus.

Cristianismo hoje: O que leva sua vida a essa direção?

Rob Bell: Eu cresci em um lar cristão e fui familiarizado com as bases da fé, e ainda assim minha espiritualidade sempre pareceu não se ajustar (o que é verdade para muitas, muitas pessoas). Eu estava em torno de boas pessoas cristãs que não falavam a minha língua. Eu tinha o maior respeito para escutar, mas o mundo onde eu vivia não tinha.
Depois da universidade eu sabia que possivelmente iria para o seminário. E estava ensinando ski na água e, por alguma razão estranha, me voluntariei para pregar num serviço de capela. Me levantei para fazer minha pequena palestra, tirei minhas sandálias porque sabia que estava num solo sagrado. Foi como ter nascido de novo.
E Deus me disse: “Se você ensinar esse livro, eu vou tomar contar de tudo”. Através dos anos isso se tornou mais e mais claro, sim, Ele disse isso. Então, no ponto da minha rebelião, agitação, insatisfação, tudo se tornou canalizado. Eu tinha algo para fazer. Eu tinha uma razão para estar lá.

Cristianismo hoje: Sua pregação mistura estilos e imagens. E as pessoas frequentemente riem. Você pretende entreter as pessoas?

Rob Bell: Na universidade meus amigos e eu começamos uma banda justamente quando a música estava começando a ser chamada de alternativa – pré-Nirvana. Nós estávamos escrevendo o nosso próprio material. As pessoas ouviriam, e se gostassem, comprariam a cassete. (Isso. Nós fazíamos cassetes nos nossos quartos). Meu pensamento é que se você vai ver uma banda e não gosta, vai embora. Você não fica em pé por uma banda que você não gosta.
Então meu entendimento em comunicação é que você engaja as pessoas onde elas estão. Se você não faz isso, elas vão embora.
Algumas vezes eu ouço as pessoas dizerem, “a igreja não está aqui para entreter”. Entreter significar segurar a atenção da pessoa, que é claramente o que os professores da escritura estão fazendo. Eles engajam e capturam a atenção.
Mas nós não estamos aqui para divertir. Divertir significa não pensar. E é errado impedir as pessoas de pensar ou distraí-las do pensamento. Eu não estou aqui para divertir. Mas é claro que eu quero engajar as pessoas. Eu tenho algo para dizer.

Cristianismo hoje: Então o que você diz é importante, mas tão importante é o modo como você diz.

Rob Bell: Na aula a professora de história não pode ficar lendo, isso é insanamente chato. Ela põe um clipe de três minutos de O Patriota, e todas as crianças estão totalmente engajadas. Então ela pára o clipe e a tela fica azul e todas as crianças da classe dizem “Uauuu”.
Existe uma arte, e as crianças são sugadas por ela. A história está acontecendo em algum lugar, mas o escritor sabe onde concentrar a tensão, onde decidir, onde não decidir. O roteirista sabe introduzir a marca entre os minutos 28 e 32, então deixa isso não resolvido para a próxima hora.
Até o mais exegético pregador pode ter uma arte: nós estamos indo para algum lugar, e a tensão pode ser resolvida - ou não.

Cristianismo hoje: Como o celular que você usou no sermão que nós ouvimos na última noite. Tocou por quanto tempo, dois minutos?

Rob Bell: Eu quis que todo mundo experimentasse a grande inquietação do momento. Eu quis que saísse do nada. Se as pessoas estivessem como “Oh, ele está esperando... vai atender daqui três minutos”, então eu as teria perdido. Eu queria que elas falassem “Eu não entendo. Ele não vai atender ao telefone? Onde ele está indo?”.
Eu uso muitos suportes e materiais visuais. As pessoas dizem, “você usa suportes e materiais. Eu sou somente um pregador da Bíblia”. Bem, encontre para mim uma pessoa nas escrituras que não usou imagens. Jesus disse, “Olhe para os pássaros, olhe para a árvore”.
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Cristianismo hoje: Por que as imagens são criticadas na pregação de hoje?

Rob Bell: A palavra da escritura é cheia de imagens. Jesus diz, “O Espírito é como o vento”. A mente oriental pensa muito em termos de figuras, a ocidental em palavras. A Oriental pensa, “Deus é uma rocha”. A mente Ocidental faz uma declaração de fé - mais confortável com definições e precisão. São boas, mas se você ganha alguma coisa, também perde alguma coisa.
Hoje você tem uma cultura que pensa em imagens. Eu sou uma criança de televisão, parte de toda uma geração onde o pensamento é baseado em imagens.
Mas os suportes nunca podem deixar de ter alguma coisa para dizer. É fácil se tornar o Cara Suporte, ou a Mulher Vídeo Clipe, mas não dizer nada. Deve se começar com alguma coisa para dizer.

Cristianismo hoje: Nós vimos você pregar usando um xale judeu. O que você pretende com isso?

Rob Bell: O xale se torna como uma dobradiça sob a qual todo o resto gira em torno. É um ponto de referência. Mais tarde, quando você estiver relembrando o ensinamento, o xale te ajuda a lembrar qual foi o ponto. Nós também aprendemos pelo toque, paladar, visão e audição. Se fico em pé atrás de um púlpito e leio, estarei fazendo um aprendizado auditivo e de recolhimento. Mas, se apelo para diferentes sentidos, consigo entrar por outros portões.
Entreguei um modelo de argila quando as pessoas entravam e disse a elas que fizessem alguma coisa. Se eu posso fazer com que você toque ou faça alguma coisa, veja ou ouça alguma coisa, é muito mais provável que você seja impactado.

Cristianismo hoje: No fim do sermão, você tirou o xale. Pessoas vieram, se ajoelharam e oraram. O uso de adereços é tático e memorável. Mas nesse caso também é muito espiritual.

Rob Bell: Deus é o Deus de adereços. Todo o sistema de sacrifícios é de adereços. Isso é como Deus explica a expiação, o sacrifício que substitui, a reconciliação. É abstrato. Então, o que Deus diz? “Pegue uma cabra. Abra. Você vê o sangue? Esse é o seu sangue. Claro?”
O pacto. “Ok, corte alguns animais ao meio. Ande para o centro. Diga para a pessoa, ‘Eu serei como esses animais se eu não mantiver minha parte no acordo’”.
Deus pega esses conceitos e os põe no barro, sangue, carne, ossos, madeira e aço. Eu diria que os adereços não são apenas formas de alcançar as crianças. É uma questão maior de o material ser espiritual.

Cristianismo hoje: Conte para nós sobre a mensagem do bode expiatório. Você tem realmente uma cabra?

Rob Bell: Preguei um sermão uma vez em Willow Creek e a cabra fez cocô no palco. Um grande momento na história daquela igreja.

Cristianismo hoje: O espiritual se tornou físico, não foi?

Rob Bell: Acho que os ajudei a ir a um novo nível de ministério, nos subúrbios de Chicago. A mesma coisa aconteceu em Mars Hill - Acho que é algo frequente na minha pregação. (risadas)Uma vez trouxe uma ovelha para as crianças no Natal. Falamos sobre a aparição dos anjos aos pastores. Acho que eles são como crianças servindo.
Migdal Eder foi o local do túmulo de Raquel, perto de Belém, mas também foi o lugar onde os pastores mantinham a ovelha para a Páscoa. Então aquelas crianças foram pastoras que mantiveram as milhares de ovelhas que deveriam ser trazidas para Jerusalém. Seu trabalho era inspecionar as ovelhas para garantir que elas estavam perfeitas e apropriadas para o sacrifício. Então Migdal Eder esteve perto da pequena vila onde Jesus nasceu. E os pastores, que estavam perto, vieram inspecionar o Cordeiro para ver se era uma personalidade e então sair proclamando.
Então eu tinha um pastor e uma ovelha no palco, e trouxe todas as crianças. E queria que elas corressem pelo prédio, todas gritando, “Glória a Deus nas alturas”. E, naquele momento, a ovelha estava fazendo cocô no palco. Então tentei dizer às crianças para irem, mas elas estavam surpresas com a ovelha. Foi um momento incrível.

Cristianismo hoje: Isso fez você ficar contra o uso de adereços vivos?

Rob Bell: Não, às vezes os uso com as crianças. Elas ficam gritando, “Mãe, você não vai acreditar no que a ovelha fez. Foi incrível”. Não foi o que eu esperava, mas elas lembram disso.
Animais, ou qualquer coisa. Seja o que for, leve. Sem regras.
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Fonte: www.cristianismohoje.com.br

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Adoração ao deus mercado


“Então disse o Senhor a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste sair do Egito, se corrompeu e depressa se desviou do caminho que lhe havia eu ordenado; fez para si um bezerro fundido, e o adorou, e lhe sacrificou, e diz: São estes, ó Israel, os teus deuses, que te tiraram da terra do Egito. Disse mais o Senhor a Moisés: Tenho visto este povo, e eis que é povo de dura cerviz. Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação” (Êx 32.7-10).


O texto acima é um dos mais utilizados pelos apologetas evangélicos contra a prática da idolatria. Este, entre tantos, é, na maioria das vezes, utilizado para atacar a prática da igreja católica romana em venerar imagens. Fazendo isto estamos sujeitos a não considerar com justiça o que vem a ser a idolatria de fato, pois, uma coisa é como entendemos tal prática hoje e outra coisa como ela era compreendida no passado, como quer demonstrar o texto mosaico. Hoje, basicamente, o ídolo é uma imagem que representa uma divindade e que se adora como se fosse a própria divindade. Mas, no passado na tradição judaico-cristã, o ídolo era um indíviduo real, ou uma imagem representativa de uma entidade fantástica, ou a própria entidade, considerados, de maneira equivocada e herética, portadores de atributos divinos. Ou seja, não havia a necessidade de um ícone, de uma representação gráfica, concreta do ídolo, pois, este existia e consistia de sua essência como entidade.

Sem maiores aprofundamentos, seria interessante considerar que o problema da idolatria não está na imagem em si, mas, em tudo o que ela passa a representar. O ícone, o objeto concreto não é nada; o problema está em sua capacidade de transportar ideologias, culturas, etc, (economia, política, religião, etc) que podem ser danosas à vida humana e ao meio-ambiente.
“Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência. Porém, se alguém vos disser: Isto é coisa sacrificada a ídolo, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; consciência, digo, não a tua propriamente, mas a do outro” (I Co 10.27-29a).
As palavras de Paulo corroboram, portanto, para que se compreenda que o ídolo em si não é nada, contudo, o que lhe é intrínseco pode ser perigoso. O bezerro de ouro do texto de Êx 32.7-10 é uma clara demonstração disto. O bezerro em si não era nada, mas representava a ingratidão e a arrogância de Israel diante de Deus.

Até antes da construção do bezerro de ouro Deus havia libertado seu povo, conduzindo-o pelo deserto sem deixar-lhe faltar o alimento e nem vestimentas. Da parte de Israel o que se ouviu foi incredulidade, pois achavam que os egípcios os matariam ante o Mar Vermelho, murmurações a respeito da falta d’água (que lhes foi providenciada), do maná (“todo dia a mesma coisa!”), da falta de carne, da saudade dos pepinos do Egito, da liderança de Moisés, etc. Além disso, aquele povo seria submetido a uma lei duríssima a qual deviam obediência para sua salvação e glorificação do nome de Deus.

O que representava o bezerro de ouro? Representava a preferência de Israel em manter-se escravo de suas conveniências, em vez de estar livre, como povo autônomo, mas, com o compromisso de servirem a Deus, a seus semelhantes e à terra. Adorarem ao bezerro de ouro era uma limitação da real divindade de Deus, de sua soberania, de sua onipotência, onipresença e onisciência, relegando-o a um simples objeto que não poderia exercer nenhuma autoridade sobre seus seguidores. Faz-se isso nas igrejas de hoje quando são enfatizados pontos que possam parecer mais interessantes ao público: prosperidade, felicidade agora, saúde inabalável, poder e prestígio. O homem transfere seu amor, seu respeito, sua atenção e todos os seus esforços de Deus para suas conveniências pessoais. Deus passa a existir e ser poderoso somente para fazer o que seus fiéis lhe pedirem (ou mandarem).

O que seria o consumismo senão um culto velado ao mercado? Um deus não representado por nenhum ícone, ou desenho, mas, que está vivo e atuante na vida de todos nós, religiosos ou não. “O consumismo é uma compulsão caracterizada pela busca incessante de objetos novos sem que haja necessidade dos mesmos. Após a industrialização, criou-se uma mentalidade de que quanto mais se consome mais se tem garantias de bem-estar, de prestígio e de valorização, já que na atualidade as pessoas são avaliadas pelo que possuem e não pelo que são” (Blog Consumismo, a modinha da vez).

O consumismo é uma forma de “testemunho” de prosperidade, poder e prestígio, alcançados por aqueles que seguem religiosamente os mandamentos do mercado, onde ter é mais importante que ser (e que o ser). Onde as coisas passam a ser mais importantes que as pessoas e a projeção individual o clímax paradisíaco do fiel. Tal testemunho nem sempre é fruto de sucesso, uma vez que muitas pessoas, no afã de se sentirem tão abençoados como os demais, compram compulsivamente e se endividam para obterem reconhecimento de seus “irmãos”.
O consumista torna-se escravo de seu deus, lutando contra tudo e contra todos para alcançar cada dia mais robustez financeira, legalmente ou nem tanto. Mesmo que isso lhe custe a saúde, a própria vida, ou a família, porque, para ser bem-sucedido nesse mundo, não se pode perder tempo com o outro. Aliás, é sempre dos outros que os sacerdotes tiram para colocar na mão de pouquíssimos merecedores. Nesta igreja, tal doutrina é conhecida como “máxima concentração de renda”. Aleluia?!

A Igreja de Cristo não pode seguir este caminho, não pode se deixar levar pela toada do capitalismo. Ao contrário, com um paradigma profético de valoração do oprimido, a Igreja (como Deus) deve preocupar-se em anunciar e fomentar a vida; suprindo-lhe de bens materiais, mas, principalmente, a dignidade do ser. O que o mundo precisa hoje é conscientizar-se da necessidade de se construir uma sociedade mais fraterna, justa e humana. A Igreja deve estar pronta para dar-lhe tal direcionamento.

Por Luciano Costa

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Templos, Sacerdotes e Sacrifícios


O antigo Judaísmo estava centrado em três elementos: O templo, o sacerdócio e o sacrifício. Quando Jesus veio, Ele cancelou os três elementos cumprindo-os em Si mesmo. Ele é o Templo que incorpora uma casa nova e viva feita de pedras vivas — “sem mãos [humanas]”. Ele é o Sacerdote que estabeleceu um novo sacerdócio. Ele é o Sacrifício perfeito e definitivo.

Como conseqüência, o templo, o sacerdócio e o sacrifício do Judaísmo cessaram com a vinda de Jesus Cristo. Cristo é o cumprimento e a realidade de tudo isso. No paganismo greco-romano estes 3 elementos também estavam presentes: Os pagãos tiveram seus templos, seus sacerdotes e seus sacrifícios. Foram apenas os cristãos que descartaram todos estes elementos. Poder-se-ia dizer que o cristianismo foi a primeira religião sem templos. Na mente do cristão primitivo, era a pessoa que constituía o espaço sagrado, não a arquitetura.

Os primeiros cristãos entendiam que eles mesmos — coletivamente — eram o templo de Deus e a casa de Deus. Notavelmente, em nenhuma parte do NT, encontramos os termos “igreja” (ekklesia), “templo”, ou “casa de Deus”, usados para referir-se a edifícios próprios. Ao ouvido do cristão do século I, descrever um edifício como ekklesia (igreja) seria como chamar uma mulher de arranha-céu! O uso inicial da palavra ekklesia (igreja) para referir-se a um lugar de reunião cristã ocorre no ano 190 d.C. por Clemente de Alexandria (150-215). Clemente foi a primeira pessoa a utilizar a frase “ir à igreja”, que era um pensamento alheio ao crente do século I. (Ninguém pode deslocar-se a um lugar que é ele mesmo! Ao longo do NT, ekklesia sempre se referiu a uma assembléia de pessoas, não a um lugar!).

Mesmo assim, a referência “ir à igreja” de Clemente não trata de uma alusão a um edifício de alvenaria construído especialmente para a adoração dos membros, trata de um lugar privado que os crentes do século II usavam para suas reuniões. Os cristãos não construíram edifícios especiais até a Era Constantino no século IV. Tampouco tiveram um sacerdócio especial separado para servir a Deus. Em vez disso, cada crente reconhecia que ele mesmo era um sacerdote diante de Deus. Os cristãos primitivos também eliminaram os sacrifícios porque entendiam que o sacrifício verdadeiro e final (Cristo) havia prevalecido. Os únicos sacrifícios que ofereciam eram sacrifícios espirituais de louvor e gratidão.

Entre os séculos IV e VI, o catolicismo romano absorveu as práticas religiosas do paganismo e do Judaísmo. Instalou um clericalismo profissional e erigiu edifícios sagrados de alvenaria. E converteu a Santa Ceia em um sacrifício místico. Seguindo a trilha dos pagãos, o catolicismo adotou a prática das virgens vestais (sagradas) e da queima do incenso. Felizmente os protestantes aboliram o uso do sacrifício da Ceia do Senhor, das virgens vestais e da queima de incenso. Mas eles retiveram tanto a casta sacerdotal (o clero) como o edifício sagrado.

Extraído do livro "Cristianismo pagão"
Frank A. Viola

terça-feira, 26 de maio de 2009

Amar a Deus com liberdade


O livro de Jó parece se concentrar na questão do sofrimento. No fundo, um problema diferente está em jogo: a doutrina da liberdade humana. Jó teve de suportar um sofrimento imerecido a fim de demonstrar que o Senhor está, na verdade, interessado no amor demonstrado em liberdade.

A disputa travada entre Deus e Satanás não foi um exercício trivial. A acusação feita por Satanás de que Jó só amava o Senhor por que “puseste uma cerca em volta dele” é um ataque ao caráter divino. Implica que Deus não é digno de amor por si mesmo; as pessoas fiéis só o seguiriam mediante “suborno”. A reação de Jó depois que todos os sustentáculos da fé fossem removidos comprovaria ou descartaria o desafio de Satanás.

Para entender essa questão da liberdade humana, talvez o melhor seja imaginar um mundo em que todos obtêm aquilo que merecem. Esse mundo imaginário tem uma certa atração. Seria justo e consistente e todos saberiam com clareza o que Deus esperava. A justiça reinaria. Há, no entanto, um enorme problema com um mundo assim tão organizado: ele não tem nada a ver com o que Deus pretende realizar na terra. Ele quer de nós o amor, amor ofertado em liberdade. E não ousemos subestimar a recompensa que Deus associa a esse amor. O Senhor lhe atribui tamanha importância que permite ao nosso planeta ser um câncer de maldade no seu universo – por algum tempo.

Se o mundo funcionasse de acordo com regras fixas, justas e perfeitas, não haveria liberdade real. Agiríamos certo por causa do nosso ganho imediato e motivações egoístas infestariam cada gesto de bondade. As virtudes cristãs descritas na Bíblia, pelo contrário, se desenvolvem quando escolhemos Deus e seu caminho apesar da tentação ou dos impulsos para fazer o contrário.

Na Bíblia inteira, uma analogia que ilustra o relacionamento entre o Senhor e seu povo salta aos olhos o tempo todo. Deus, o marido, é retratado tentando atrair a noiva para si mesmo. Ele quer seu amor. Se o mundo fosse construído de forma que cada pecado recebesse um castigo e cada boa ação, um prêmio, o paralelo não resistiria. A analogia mais próxima a esse relacionamento seria uma mulher mantida em cativeiro, mimada, subordinada e trancafiada em um quarto de forma que o amante pudesse estar seguro de sua fidelidade. Deus não “prende” seu povo. Ele nos ama, oferece-se para nós e espera ansioso por nossa livre reação.

O Senhor quer que optemos por amá-lo de livre e espontânea vontade, mesmo que essa opção envolva dor, por estarmos comprometidos com Ele, não com sensações e recompensas que nos façam sentir bem. Ele quer que permaneçamos fiéis a Ele, como fez Jó, inclusive quando tivermos todos os motivos do mundo para negá-lo com veemência. Jó se apegou à justiça de Deus no momento em que se tornou o melhor exemplo da história da aparente injustiça divina. Não procurou o Presenteador por causa do presente; pois quando todos os presentes foram removidos, ele ainda O buscava.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Reflexões do Reino também é humor

O Reflexões do Reino, a partir de hoje, se compromete com seus leitores a postar toda 6ª feira uma série de piadinhas pra descontrair. Sabe como é né, fim de semana chegando, precisamos estar bem-humorados para o sabadão.


Quer pagar como?

O sujeito passava em frente a um hospital de luxo, quando teve um troço e precisou ser operado às pressas.

Quando ele acordou, a enfermeira, uma senhora muito religiosa, perguntou:
— O senhor tem seguro saúde?
— Infelizmente não...
— Dinheiro pra pagar a conta?
— Nenhum tostão...
— Algum parente que possa pagar?
— De parente só tenho a minha irmã solteirona, uma pobre freira.
— Freiras não são solteironas! — disse ela. — Elas são casadas com Deus!
— Ah, ótimo! Então nesse caso pode mandar a conta pro meu cunhado!


No Confessionário

O cara entra no confessionário e o padre pergunta:
- Pois não, meu filho. Quais são os seus pecados?
- Ai, padre... É que eu comunguei há três anos...
- Entendi, meu filho. Você não deveria fazer isso, mas me diga... Quais são os seus pecados?
O cara sem jeito, diz novamente:
- Então... Eu comunguei há três anos.
- Está bem meu filho, eu já sei que você comungou há três anos. Mas isso não é pecado! Conte-me seus pecados, filho...
- Padre, vê se presta atenção no que estou dizendo: EU... COMO...UM... GAY... HÁ... TRÊS... ANOS!

O Deus Presente


Deixa-me ser franco: Que diferença Jesus faz para nossos sentimentos de decepção com Deus? Como nos ajuda o saber que ele também experimentou frustração e decepção?

Os teólogos, acompanhando o apóstolo Paulo, geralmente explicam a contribuição de Cristo em linguagem jurídica: justificação, reconciliação, propiciação. Mas essas palavras caracterizam somente uma pequena parte do que aconteceu. Para compreender que diferença Jesus faz para o problema da decepção, temos de ir além dessas palavras e examinar a história subjacente de Deus sair ardentemente em busca de seres humanos.

Reexamine as duas principais imagens nos Profetas: um pai ansioso lamentando pelo filho que fugiu, e um amante abandonado ardendo de raiva. As histórias de Jesus propiciam um final feliz para ambas. O pai à espera tem aguardado por muito tempo; ele recebe de volta, com braços abertos, o filho fugi-tivo. O amante ferido, recuperado de sua ira, escancara a porta da frente.

Que diferença Jesus fez? Tanto para Deus como para nós, ele tornou possível uma intimidade que nunca antes havia existido. No Antigo Testamento, os israelitas que tocaram a arca sagrada da aliança caíram mortos; mas pessoas que tocaram em Jesus, o Filho de Deus em carne e osso, saíram curadas. A judeus que não pronunciavam nem mesmo soletravam as letras do nome de Deus, Jesus ensinou uma nova maneira de dirigir-se a Deus: Abba, ou "papai". Em Jesus Deus se aproximou do homem.

As Confissões de Agostinho descrevem como essa proximidade o afetou. Na filosofia grega ele havia aprendido acerca de um Deus perfeito, atemporal, incorruptível. Ele jamais conseguiu aquilatar como uma pessoa cheia de cobiça, obcecada por sexo, indisciplinada, tal como era o seu caso, podia se relacionar com um Deus assim. Tentou várias heresias da época e achou todas elas insatisfatórias, até que finalmente encontrou o Jesus dos evangelhos, uma ponte entre seres humanos comuns e um Deus perfeito.

O livro de Hebreus examina em detalhes esse surpreendente novo avanço na questão da intimidade. Primeiramente o autor trata detalhadamente do que era necessário apenas para chegar até Deus na época do Antigo Testamento. Só uma vez por ano, no Dia da Expiação — o Yom Kippur — uma única pessoa, o sumo sacerdote, podia entrar no Lugar Santíssimo. A cerimônia envolvia banhos rituais, vestes especiais e cinco sacrifícios de animais; e ainda assim o sacerdote entrava no Lugar Santíssimo temeroso. Ele usava sinos em seu manto e uma corda em volta do tornozelo, de modo que, caso morresse, e os sinos parassem de tocar, outros sacerdotes poderiam puxar seu corpo para fora.

Hebreus apresenta um contraste marcante: agora podemos nos aproximar do "trono da graça'' sem receio, com intrepidez, "confiadamente". Avançar com intrepidez até o Lugar Santíssimo — nenhuma imagem podia ser mais chocante para os leitores judeus. Contudo, no momento da morte de Jesus, uma grossa cortina dentro do templo literalmente se rasgou em duas, de alto a baixo, deixando aberto o Lugar Santíssimo. Portanto, conclui Hebreus, devemos nos aproximar de Deus.

Jesus contribui com isto para o problema da decepção com Deus: por causa dele, podemos ir diretamente a Deus. Não necessitamos de mediador humano, pois o próprio Deus se tornou mediador.

Extraído do livro "Decepcionado com Deus"
Philip Yancey

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Retrô - Até quando?


Como tem sido difícil assistir um culto pentecostal nas igrejas atuais. Confesso, saí frustrado do último que fui. As raízes pentecostais não tem nada a ver com isso que chamamos hoje de manifestações do Espírito.

Sei que corro o risco de ser chamado de frio, de intelectual e outros nomes mais. Portanto, não me renderei a esse pseudoevangelho pregado nos púlpitos da igreja moderna.

Como pode alguém ir ao um “culto de poder” e sair pior do que entrou? Que tanto poder é esse que é “liberado” pelos evangelistas e pastores, que não tem eficácia na vida existencial deles próprios?

Que tanta “unção” é essa que é exalada de seus paletós e não transforma a vida dos fiéis?

Até quando veremos os manipuladores de auditórios manobrando as massas para um falso evangelho?

Até quando vamos chamar de “cristãos” esses falsos líderes? Eles inventaram outra religião. Abandonaram o cristianismo. Não falam da cruz de Cristo e da regeneração do Espírito Santo como solução para toda e qualquer escravidão espiritual. Não falam do discipulado de Jesus Cristo como compromisso com o Reino de Deus, o que exige arrependimento e submissão absoluta ao Rei Eterno, o que implica mudança de vida e serviço abnegado.

Continuo a peregrinar com minhas incertezas, sabendo que o Deus da igreja dará um escape aos seus pequeninos que anseiam viver humildemente, praticando a justiça e amando a misericórdia. Continuo a crer nas manifestações do Espírito Santo na vida do cristão; continuo a crer na transformação do homem caído; e continuo a ter esperança que a nossa missão é manifestar, aqui e agora, a maior densidade possível do Reino de Deus, que será consumado ali e além.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A surpreendente novidade


Otto Maduro definiu religião como “um conjunto de discursos e práticas, referente a seres anteriores ou superiores ao ambiente natural e social, em relação aos quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação” [Religião e luta de classes. Petrópolis: Vozes, 1981]. Por trás de toda experiência religiosa existe uma mesma lógica: a relação de dependência e obrigação entre os deuses e seus fiéis. Como numa espécie de contrato, as partes estão comprometidas: o fiel obedece e cumpre obrigações e o tal deus recompensa abençoando. Na lógica religiosa “não existe almoço grátis”. Outra maneira de dizer isso é afirmar que a religião está baseada na relação de méritos, que resultam em bênçãos, e deméritos, que resultam em maldições. Para que um determinado deus faça alguma coisa, os seus seguidores devem cumprir obrigações para com ele. O favor dos deuses custa caro.
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Nesse sentido, o Cristianismo é o fim da religião, pois faz desmoronar a lógica da justiça retributiva. A mensagens dos apóstolos e dos cristãos chamados primitivos faz surgir no cenário religioso do mundo antigo uma novidade que até hoje ainda não foi bem compreendida. A surpreendente novidade do Cristianismo atende pelo nome de Graça de Deus. O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é singular: ele não pode ser comprado. Não há nada que uma pessoa possa fazer para merecer o favor de Deus. Não há nada que uma pessoa possa fazer para atrair sobre si a ira de Deus. Essa é a essência da obra de Jesus Cristo na cruz do Calvário: “Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens [...] Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado (Cristo), para que nele (Cristo) nos tornássemos justiça de Deus” [2Coríntios 5.18,20].
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A partir de Jesus Cristo não mais precisamos temer a ira de Deus, pois “nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo” [Romanos 8.1], e não precisamos mais barganhar com Deus para alcançar seu favor, pois “Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com Ele, e de graça, todas as coisas?” [Romanos 8.32]. Libertos das obrigações em relação a Deus, estamos livres dos estreitos limites impostos pelos ritualismos e moralismos da lógica religiosa, o que nos exige responder por que, então, ainda nos dedicamos a fazer a vontade de Deus. Somente uma resposta é possível: fazemos a vontade de Deus porque a graça de Deus assemelha nosso coração ao coração de Deus. Antes, escravizados pela lógica “obedecer para receber a bênção”, fazíamos a vontade de Deus para fugir de sua ira e alcançar o seu favor. Agora, libertos pela graça, fazemos a vontade de Deus porque a ela nosso coração se afeiçoou: fomos transformados no entendimento, e passamos a considerar a vontade de Deus algo bom, perfeito e agradável [Romanos 12.1,2]. Aquele que foi alcançado pela graça, já não tem obrigação de fazer a vontade de Deus. Mas tem prazer [Salmo 1.2]. São esses os que podem dizer: “Pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi inútil” [1Coríntios 15.10].
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Por Ed René Kivitz

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sem barganhas com Deus


Então, estando você cônscio da Graça — e a ela ligado pela fé em Cristo Jesus —, não temerá ver-se refletido na Palavra e também não desejará esquecer a imagem de seu ser por ela revelado, pois, essa é a imagem de quem você é! E, também, o potencial de quem você pode ser!

Ao contrário, quando se está livre do medo da condenação, até aquilo que você lê contra você mesmo, chega com o poder da cura, e não da ‘enfermização’ que nasce da fobia que é fruto das relações de causa e efeito, pois, fica-se livre da neurose culposa, que é produto da condenação moral e de seus juízos impacientes, caprichosos e imediatos.

A Palavra, todavia, nos coloca no Caminho e nele nos mostra um caminho sobremodo excelente, onde de um lado vemos quem somos, e não nos entregamos em indulgência aos nossos descontrolados desejos e doenças; e, de outro lado, não somos convidados a nenhum tipo de exercício de auto-punição purgatória. O Caminho acontece entre esses dois pólos e é marcado pelo amor que lança fora o medo. Portanto, entregues à Graça, ficamos livres para aceitarmos em paz a transformação, seja ela instantânea ou um processo. Pois, como é óbvio, não há barganhas a fazer!

Sem barganhas com Deus
Caio Fábio

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Ensaio sobre Onipotência


Onipotência (de Deus) significa poder para fazer tudo que é intrinsecamente possível, e não para fazer o que é intrinsecamente impossível. É possível atribuir-lhe milagres, mas não tolices. Isto não é um limite ao seu poder. Se disser: "Deus pode dar a uma criatura o livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, negar-lhe o livre-arbítrio" não conseguiu dizer nada sobre Deus: combinações de palavras sem sentido não adquirem repentinamente sentido simplesmente porque acrescentamos a elas como prefixo dois outros termos: "Deus pode".
Permanece verdadeiro que todas as coisas são possíveis com Deus: as impossibilidades intrínsecas não são coisas, mas insignificâncias (praticamente não existem). Não é possível nem a Deus nem à mais fraca de suas criaturas executar duas alternativas que se excluem mutuamente; não porque o seu poder encontre um obstáculo, mas porque a tolice continua sendo tolice mesmo quando é falada sobre Deus. Deve ser porém lembrado que os raciocinadores humanos com freqüência cometem erros, seja argumentando a partir de dados falsos ou por falha no argumento em si. Podemos chegar assim a pensar coisas possíveis que na verdade são impossíveis, e vice- versa. Devemos, portanto, tomar a máxima precaução ao definir aquelas impossibilidades intrínsecas que nem mesmo a Onipotência pode realizar.

Extraído do livro "O problema do sofrimento"
C. S. Lewis

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Alvos da tentação - Riqueza e Prazer


Encerramos aqui em uma tacada só a série "Alvos da tentação", tratando suscintamente sobre a riqueza e o prazer.

RIQUEZA

Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Coisas que têm uma etiqueta de preço. Bens materiais. Objetos tangíveis. E que há por trás de tudo isso? O desejo de possuir, de apossar-se, de juntar riquezas, ficar rico; enfrentemos a realidade: o desejo de parecer rico. Trata-se da obsessão de raízes profun­das, no sentido de impressionar os outros e também deliciar-se na velhíssima coceira denominada "quero mais." Sempre mais. O bastante nunca é bastante. A satisfação está fora de questão.
Tudo isto parece tão claro no papel! Pinte essa coisa de verde e chame-a de cobiça pura e simples; fácil de ser analisada neste momento objetivo. Porém, quando deslizamos na cor­rente de água e começamos a nadar, eis que surge uma torrente que nos apanha e nos arrasta. Logo somos engolfados por ela, e atirados nas cataratas, quase totalmente descontrolados. Para livrarmo-nos e iniciar nova trajetória nou­tra direção precisamos de nada me­nos que o poder do Deus Todo-poderoso. Jamais alguém re­sistiu à cobiça sem que travasse uma luta ao mesmo tempo incansável e feroz. O deus chamado Riqueza tem morte lenta e dolorosa.

PRAZER

"Se você se sentir bem..." Ah! termine você mesmo o adágio. Talvez seja nosso ponto mais vulnerável à tentação: o prazer, que significa o desejo de satisfazer-se sensualmente, não importa o custo. Pode ser tão inocente como um pequeno divertimento, ou tão sórdido como uma relação sexual ilícita. Não estou interessado no ato, mas na atitude. "Quero o que quero quando quero. Vou ser feliz, preciso realizar-me, gratificar meus desejos... a despeito de!"
Não, de modo nenhum saímos por aí dizendo as coisas assim, abertamente. Entretanto, é com essa intensidade de prazer sensual que o prazer é perseguido. E ao fazê-lo, racionalizamos as Escrituras, baixamos nossos padrões de moralidade, des­prezamos as funções da consciência e, assim, convencemo-nos não apenas de que está tudo bem, mas de que aquilo é uma necessidade! Se, de alguma forma, algumas visões de Deus interrompem nossa brincadeira no "playground", temos meios de ignorá-lo, também. Dessas pessoas diz Paulo que são insensatas e loucas:

"Pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus... antes seus raciocínios se tornaram estultos, e seus corações insensatos se obscureceram. Di­zendo-se sábios, tornaram-se loucos..." (Rm 1.21-22).

Poder. Fama. Riqueza. Prazer. No que concerne às tentações, estas são as maiorais. Resistindo contra cada uma delas, de peito aberto, cultivamos o caráter dentro de nós, no íntimo. Portanto, mantenha os olhos abertos, e deixe sua armadura bem à mão. A batalha prossegue agora mesmo, bem acesa. Você não pode confiar no "cessar fogo" de Satanás.

"tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do ma­ligno" (Ef 6.16)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Retrô - Às vezes


Às vezes, tenho vontade de gritar para o mundo ouvir que Jesus Cristo é o Senhor. Mas, logo vêm os desbravadores do evangelho-fácil e roubam de mim o fervor.

Às vezes, me surgem alguns pensamentos triunfalistas de que “se Jesus venceu, eu também vencerei”. Porém, logo me vem à mente que Jesus não tinha nem onde reclinar a cabeça – pobre, manso e humilde. Me envergonho.

Às vezes, me angustio com a situação e comportamento da igreja evangélica brasileira. Todavia, alguns bons amigos me fizeram lembrar que Jesus buscará uma Igreja dentro da igreja – como diz a brilhante parábola da colheita (Mt 13.24-30).

Às vezes, perco o sono com meus conflitos interiores, vendo-me impotente para mudar o rumo da igreja. Portanto, me recordo da ilustração do beija-flor, que no afã de apagar o grande incêndio da floresta, jogava água no fogo com seu pequeno bico, como em conta-gotas.

Às vezes, sou chamado de pessimista. Logo, quando sou confrontado com as páginas sagradas, vejo que a tendência é só piorar.

Às vezes, sou tentado a acreditar nos profetas modernos que jogam bênçãos avanço ao povo. Entretanto, olho para os profetas veterotestamentário e vejo quão distante estão os seus respectivos ministérios.

Às vezes, me comparo com aqueles discípulos a caminho de Emaús, onde não conseguiam enxergar o Mestre devido às circunstâncias desfavoráveis que os judeus passavam. Contudo, será que sou eu que não contemplo Jesus, ou Jesus não está sendo encontrado em alguns de nossos templos suntuosos?

Às vezes, olhando para os relatos da Reforma Protestante, penso que poderíamos passar por algo semelhante em nossas igrejas. Porém, devido aos tempos pós-modernos, seria algo humanamente impossível – os “Luteros” estão se corrompendo.

Às vezes, faço minhas orações acreditando que todas elas serão atendidas por Deus. Logo, lembro-me de umas das cartas paulinas endereçadas aos irmãos de Filipos (Fp 4.6,7), onde Ele não promete realizar meus desejos e caprichos, mas sim, a paz em nossos corações.

Às vezes, sinto vontade de vociferar contra as mazelas da liderança eclesiástica. Mas, logo atento para dentro de mim, e contemplo o homem corrupto que habita em mim, com igual ou maior número de mazelas do que os líderes religiosos.

Às vezes, olho para o caos que se encontra nosso sistema religioso, tentando entender “por que isso Senhor?!”, e ouço Deus responder em meu coração: “Eu sou Soberano sobre todas as coisas filho, tudo está patente aos meus olhos, faça a sua parte”. Então, quase sempre saio constrangido, entendendo que a boa mão de Deus, há de nos mostrar a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve (Ml 3.18).

Às vezes...

Alvos da tentação - Fama


Continuando nossa série "Alvos da tentação", discorreremos agora sobre os perigos da fama.

Grande perigo inicia-se com o anseio de ser popular. Ser membro da "gangue". Ser amado. Na verdade, é algo mais do que isso. É a fome de ser conhecido, de criar um nome para si mesmo. Inclui a per­seguição do melhor lugar, o aperto de mãos certas, a batida nas costas certas, estar nos ambientes certos; manipulando e cavando habilmente. O tempo todo há uma preocupação ja­mais pronunciada em torno de uma agenda egocêntrica, oculta: que o seu nome fique lá em cima, sob o foco dos holofotes. A insegurança assim revelada está entre o patético e o nauseante.
Não me entenda mal. Para algumas pessoas, a fama chega de surpresa. Nada mais é do que o subproduto de um trabalho bem feito, isento de estratégia maliciosa. Sem jamais nutrir qualquer desejo de ser bem conhecido, algumas pessoas são atiradas no centro do palco independentemente de seus pró­prios desejos. Tudo bem: que elas continuem a examinar suas motivações e a manter o equilíbrio. A fama pode ser o atrativo principal. As alturas são estonteantes. Um brincalhão disse, jocosamente: "A fama, à semelhança da fumaça, é inofensiva se você não a inalar." As pessoas que conseguem dominá-la com graça, não se permitem esquecer quão imerecedoras são. Com freqüência, tais pessoas têm origens muito humildes. Como a famosa contralto Marian Anderson, que afirmou que o momento mais importante de sua vida ocorreu quando ela chegou em casa e disse à sua mãe que não precisaria mais lavar a roupa das pessoas, dali por diante.

O apóstolo João escreve palavras muito fortes: "o mundo inteiro jaz no maligno." Em seguida, adverte-nos: "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos." Ídolos como a fama e o poder. Essa é uma das razões porque os momentos devocionais com o Senhor têm tanto valor. Ilumi­nam o foco de nossa vida. Corrigem nossa visão. Incendeiam nosso louvor. Redirecionam nossas prioridades. Tiram nossa atenção deste planeta, e colocam-na em coisas eternas.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Alvos da tentação


Poder. Fama. Riqueza. Prazer.

No que concerne às tentações, aqui estão os maiores vilões.
Não é que não existam outras armadilhas e tropeços. Exis­tem, e quantos! Mas os quatro acima representam nossos elos mais fracos na corrente de resistência; as aberturas mais vi­síveis em nossa armadura. Se o inimigo de nossas almas deseja lançar um de seus "dardos inflamados" num ponto em que produzirá maior impacto, fará uma escolha dentre estes quatro principais alvos.


PODER

Os que buscam o poder desejam controlar, governar os outros. Querem ocupar cargos de autoridade e fazer as coisas à sua maneira, conforme sua vontade. Manipulam e manobram as pessoas, a fim de ficar em posição de autoridade, de tal maneira que consigam dominar os outros e mantê-los obe­dientes. Embora alguns consigam realizar isto como mestres da fraude, escondendo a verdade por detrás de máscaras sor­ridentes e palavras piedosas, seu estilo dominador torna-se evidente quando as pessoas que supostamente deveriam obe­decer não obedecem e, ao contrário, exercem alguma forma de independência criativa e sadia. "Anátema!" grita o ditador. E zás! o chicote entra em ação. As pessoas que anseiam pelo poder demonstram mínima tolerância pelos indivíduos que pensam com suas próprias cabeças e falam segundo suas pró­prias idéias.
Por alguma estranha razão, as fileiras religiosas estão incha­das de pessoas que sucumbiram diante desta forma especial de tentação. Dê a certas pessoas autoridade suficiente para liderar, conhecimento bíblico suficiente para citações escriturísticas e necessidade de obter sucesso, e não passará muito tempo para você pensar que César se reencarnou. Não é de surpreender que Pedro, ao dirigir-se aos que pastoreiam o rebanho de Deus, advertiu-os contra serem "dominadores dos que vos foram confiados". Líderes enlouquecidos pelo anseio de poder esmagam mais ovelhas do que poderíamos imaginar. A tragédia particular disto é que as ovelhas esmagadas não se reproduzem e, além disso, raramente se re­cuperam de todo.
Aguarde, em breve discorreremos sobre os outros alvos da tentação.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma outra forma de pregar o evangelho


Funciona mais ou menos assim: O pregador anuncia para o auditório que todos estão perdidos e precisam de salvação. Necessitam se arrepender, pedir perdão e aceitar a Jesus como salvador. Só assim serão salvos. Após a prédica o orador faz um apelo. Quem quiser ser salvo deve levantar a mão e ir até à frente. Repetidas umas frases, a pessoa está salva.

Esse é um modelo clássico de pregação evangelística. Existem outros muito mais apelativos e até constrangedores, mas esse é o tradicional. O problema é o seguinte: será que as respostas dadas nesse tipo de pregação respondem as perguntas que as pessoas estão se fazendo na atualidade?

Vamos imaginar esse tipo de pregação sendo ministrada a uma adolescente de 13 anos que foi violentada sexualmente pelo próprio pai, que está machucada no corpo, na alma, no coração, nos sentimentos. Ela já não tem referenciais porque quem devia protegê-la foi o algoz e abusador. Acho que pode passar pela mente dela as seguintes questões: Do que preciso me arrepender? Preciso pedir perdão de quê? Serei salva do quê para quê? Tenho que aceitar um Deus que vai perdoar quem me violentou?

O discurso da pregação tradicional e formulada com base em regrinhas pré-moldadas importadas de uma eclesiologia pragmática não faz o menor sentido num contexto desses. A pregação da salvação, nos moldes daquele orador do início do texto vai cair no vazio para quem está envolto em tamanhas tragédias.

As elaborações acerca da justificação, expiação, santificação, eleição, etc, não vão comunicar, de forma alguma, o amor de Deus ao coração de uma pessoa quem nem perguntou nada disso e que, por conta da maldade alheia, foi envolvida numa espiral de dor e sofrimento. Ela só quer alívio para sua dor e esperança de dias melhores.

Diante da dor de uma menina violentada pelo próprio pai ou por qualquer outra pessoa, nossas discussões acerca da melhor verdade ou da mais reta doutrina, deveriam nos causar vergonha e rubor na face. De que adianta sair vencedor de um debate doutrinário, se somos impotentes para dar uma resposta ao sofrimento humano? Se somos covardes ou acomodados de tal forma que preferimos levantar a mão numa canção pasteurizada de “louvor” a Deus, mas somos incapazes de estender a mão para aliviar a dor de quem sofre.

Aquela menina vítima de 13 anos também é alvo do amor de Deus. Como pregar o evangelho para ela? Creio que há, sim, uma forma. Acolher, amar, estender a mão, tentar livrá-la das culpas que ela certamente carrega fazendo-a enxergar que ela é querida, amada, e que há, ainda, pessoas em quem ela pode confiar. Sentar-se ao lado dela sem dizer palavra alguma, mas deixar bem claro que ela tem com quem contar. Talvez assim, ela consiga enxergar Jesus no rosto de quem estiver ao seu redor, cuidando dela. Talvez ela consiga enxergar Jesus no rosto de uma psicóloga comprometida com a causa da justiça, talvez no rosto de um funcionário de um abrigo, talvez no sorriso acolhedor de quem lhe preparou uma refeição, talvez no gesto de um voluntário que abriu mão de uma tarde de sábado ou domingo para lhe contar estórias ou para ouvir suas histórias.
As pessoas que agem assim são pregadoras do Evangelho de Jesus Cristo, ainda que não saibam. Estão seguindo a recomendação de Francisco de Assis: “Pregue o evangelho em todo o tempo. Se necessário, use palavras.”

Por Marcio Rosa

Os teimosos soldadinhos de chumbo


O Filho de Deus se fez homem para que os homens pudessem tornar-se filhos de Deus. Não sabemos - eu, pelo menos, não sei — como as coisas seriam se a raça humana nunca tivesse se rebelado contra Deus e se aliado ao inimigo. Talvez todos os homens vivessem "em Cristo", compartilhassem desde o nascimento a vida do Filho de Deus. Talvez a vida que chamamos de bíos, a vida natural, tivesse sido assumida e incorporada a zoé, a vida incriada, de imediato e de uma vez por todas. Mas isso não passa de um palpite. O que nos interessa é a situação tal como se apresenta para nós agora.

O atual estado de coisas é o seguinte: os dois tipos de vida são não apenas completamente diferentes entre si (o que sempre foram e sempre serão), mas também opostos. A vida natural de cada um de nós é uma coisa egocêntrica, que quer ser paparicada e admirada, quer tirar vantagem das outras vidas e usar para seu proveito o universo inteiro. Acima de tudo, ela quer ser deixada em paz: quer distância de tudo que possa ser melhor, mais forte ou mais elevado que ela, tudo que possa revelar a sua pequenez. Tem medo da luz e do ar fresco do mundo espiritual, da mesma forma que as pessoas que foram criadas sem higiene não gostam de tomar banho. Num sentido, ela tem toda a razão, pois sabe que, se cair nas garras da vida espiritual, seu egocentrismo e sua vontade própria serão exterminados. Assim, luta com unhas e dentes para que isso não aconteça.

Você nunca imaginou, quando era pequeno, como seria divertido se seus brinquedos ganhassem vida? Bem, imagine que você tivesse efetivamente o poder de dar-lhes vida. Imagine que pudesse transformar um soldadinho de chumbo num homenzinho de verdade. O chumbo teria de transformar-se em carne. Imagine que o soldadinho não gostasse da mudança. A carne não o interessa; tudo o que ele vê é o chumbo arruinado. Pensa que você quer matá-lo e fará tudo o que puder para impedi-lo. Se isso estiver ao seu alcance, não se deixará transformar em homem de jeito nenhum.

O que você faria com esse soldadinho eu não sei, mas o que Deus fez com o gênero humano foi o seguinte: a Segunda Pessoa de Deus, o Filho, tornou-se ele mesmo um homem: nasceu em nosso mundo como um homem — uma pessoa real, que falava determinada língua, tinha determinada altura, determinado peso e uma certa cor de cabelo. O Ser Eterno, que tudo sabe e criou todo o universo, tornou-se não apenas um homem, mas (antes disso) um bebê e, antes disso ainda, um feto dentro do corpo de uma mulher. Se quer saber como ele deve ter se sentido, imagine se você se transformasse numa lesma ou num caranguejo.

Como resultado, houve um homem que foi de fato como todos os seres humanos deveriam ser: um homem cuja vida criada, herdada de sua mãe, deixou-se assimilar completa e perfeitamente pela vida gerada. Nele, a criatura humana natural foi plenamente assumida pelo divino Filho. Assim, num caso particular, a humanidade chegou, por assim dizer, aonde tinha de chegar: passou à vida de Cristo. E, uma vez que toda a nossa dificuldade reside no fato de que, em certo sentido, a vida natural tem de ser "morta", ele escolheu um caminho terreno marcado pela morte cotidiana de todos os seus desejos humanos — escolheu a pobreza, a incompreensão de sua própria família, a traição de um de seus amigos íntimos, a zombaria e o espancamento nas mãos da polícia e a execução mediante tortura. E então, depois de ser morta - morta, de certa maneira, a cada dia -, a criatura humana que nele havia, por ser unida ao divino Filho, voltou de novo à vida. O homem em Cristo ressuscitou: não apenas o Deus. Tudo se resume a isto. Pela primeira vez vimos um homem de verdade. Um soldadinho de brinquedo - feito de chumbo como todos os outros - se tornou esplêndida e totalmente vivo.

C. S. Lewis
Cristianismo puro e simples

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A parábola da bola


Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:– A bola é grená, disse um.– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.

– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.

Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.

De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.

Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.

Autor desconhecido

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